⚡ Decisão busca atender aos interesses econômicos americanos, segundo Trump, mas provoca críticas de Zelensky e de parlamentares que temem o fortalecimento de Moscou
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu diversas sanções e tarifas previstas em uma nova legislação destinada a aumentar a pressão econômica sobre a Rússia. A decisão foi anunciada por meio de uma ordem executiva assinada na sexta-feira (16), dois dias antes da entrada em vigor das medidas, e foi comemorada por autoridades russas.
A legislação havia sido aprovada pelo Congresso americano e sancionada por Trump em setembro. O texto previa tarifas de até 100% sobre produtos de países que comprassem petróleo e gás russos em determinadas condições, além de sanções contra autoridades, instituições financeiras e embarcações associadas à chamada “frota fantasma”, utilizada por Moscou para contornar restrições internacionais.
Na ordem executiva, Trump justificou a suspensão de parte das medidas como uma decisão de interesse nacional dos Estados Unidos. A iniciativa ocorreu em meio à pressão provocada pela alta dos preços dos combustíveis, relacionada à guerra no Oriente Médio, e às preocupações econômicas do governo americano antes das eleições legislativas de novembro.
Um dos fatores envolvidos é um acordo para permitir a importação de diesel russo. Trump defendeu a iniciativa como uma forma de ampliar a oferta de energia e contribuir para reduzir os preços no mercado americano. Críticos, porém, argumentam que a compra de combustíveis russos pode gerar receitas para Moscou em um momento em que o país continua sua guerra contra a Ucrânia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou a decisão e afirmou que as sanções poderiam exercer pressão significativa sobre o governo russo. Ele também alertou para os ataques contra instalações energéticas ucranianas, que provocaram cortes de eletricidade em diferentes regiões, e defendeu a manutenção de medidas capazes de limitar os recursos disponíveis para o esforço militar russo.
A suspensão também foi criticada por parlamentares americanos favoráveis à Ucrânia. O congressista democrata Don Beyer acusou Trump de enfraquecer o apoio a Kiev e de contrariar o objetivo da legislação aprovada pelo Congresso.
Em Moscou, o representante russo Kirill Dmitriev classificou a decisão como um momento histórico e afirmou que as sanções provocaram danos econômicos. A reação positiva das autoridades russas contrastou com a preocupação manifestada pelo governo ucraniano e por aliados ocidentais.
A medida ocorre em meio ao agravamento das divergências entre Trump e Zelensky. Nos últimos dias, os dois líderes trocaram críticas públicas sobre a condução da guerra, enquanto Kiev manifestou preocupação com mudanças no apoio americano, incluindo questões relacionadas à assistência militar e ao funcionamento de sistemas tecnológicos utilizados pelas forças ucranianas.
Apesar da suspensão de várias medidas previstas na nova legislação, as sanções americanas anteriormente impostas à Rússia não foram todas eliminadas. A decisão modifica o alcance da pressão econômica prevista pelo novo pacote e intensifica o debate sobre a estratégia de Washington diante da guerra.



