🚔 Investigação aponta Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como “Boss”, como fornecedor de drogas; operação prendeu seis pessoas em quatro estados
Um roubo de celular em um semáforo de Fortaleza acabou levando a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro a uma investigação sobre uma rede de fornecimento de drogas ligada ao Comando Vermelho (CV). O aparelho pertencia a Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como “Gordão” ou “Boss”, apontado pelos investigadores como um fornecedor de drogas para integrantes da facção.
O celular usado nas atividades criminosas foi roubado. Na tentativa de recuperar o aparelho, Laércio passou a utilizar seu telefone pessoal para entrar em contato com criminosos no Ceará. Segundo a investigação, esse aparelho era o único que mantinha arquivos armazenados em serviços de nuvem. Com autorização judicial, os investigadores tiveram acesso a dados de linhas telefônicas e contas na nuvem, encontrando conversas e informações relacionadas à atividade criminosa.
Entre os diálogos analisados está uma conversa na qual Laércio demonstra preocupação com o celular roubado e menciona ter investido cerca de R$ 3,5 milhões. Em outras mensagens, aparecem referências a pedidos e negociações envolvendo drogas.
Uma das conversas cita a existência de 355 favelas do Comando Vermelho como possível mercado. A informação faz parte do conteúdo obtido pelos investigadores e não significa, por si só, que Laércio fornecesse drogas para todas essas comunidades.
A investigação também relacionou Laércio a uma apreensão de mais de 715 quilos de drogas realizada em Guarulhos, em fevereiro de 2024. A carga, encontrada escondida em tanques de combustível de um caminhão, havia sido apreendida durante uma investigação da Polícia Civil de São Paulo. Posteriormente, investigadores do Rio cruzaram dados de conversas e pagamentos e apontaram uma ligação entre o carregamento e Laércio. O procedimento deve ser encaminhado ao Ministério Público de São Paulo para análise de eventual denúncia por tráfico.
💰 Investigação aponta movimentação de R$ 70 milhões
Laércio foi preso em uma cobertura em Maceió durante uma operação contra o grupo investigado por fornecer drogas para integrantes do Comando Vermelho. Ao todo, seis pessoas foram presas, e foram cumpridos mandados em quatro estados.
No imóvel onde o suspeito estava, foram encontrados cerca de R$ 100 mil, além de roupas, acessórios e tênis. Os investigadores também localizaram outros imóveis relacionados a Laércio em endereços de Maceió, Rio de Janeiro e São Paulo.
Segundo a Polícia Civil, a movimentação financeira atribuída a Laércio chegou a aproximadamente R$ 70 milhões no período analisado. Ele é investigado por crimes relacionados ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.
Os investigadores o descrevem como um “fornecedor de fornecedores”, ou seja, alguém que atenderia a demandas de outros fornecedores quando surgiam dificuldades logísticas para obtenção de drogas.
👮 Policiais também são investigados
A apuração aponta ainda o possível envolvimento de dois policiais militares, que seriam responsáveis, segundo os investigadores, por recolher dinheiro e fazer a segurança durante o transporte de drogas. As suspeitas ainda estão no âmbito da investigação e não representam condenação.
Também é investigada a possível participação de um policial civil do Rio de Janeiro. Ele foi abordado em um pequeno aeroporto de São Paulo de Olivença, no Amazonas, próximo à fronteira com Peru e Colômbia, quando estava em um avião particular. A aeronave havia sido contratada por cinco dias por cerca de R$ 128 mil, valor pago pelo pai do agente por meio de Pix.
Nenhuma droga foi encontrada com o policial. O número dele, porém, estava salvo entre os contatos de Laércio. Convocado para prestar esclarecimentos, o agente permaneceu em silêncio. A corregedoria também investiga uma empresa ligada a ele por uma possível função na ocultação de recursos provenientes do tráfico, segundo os investigadores.
A apuração continua para esclarecer a extensão da rede, identificar outros envolvidos e determinar a responsabilidade individual de cada suspeito.


