💰 Acusação consta de proposta de colaboração rejeitada pela PF e pela PGR; relato aponta supostos repasses por meio da PKL One e em dinheiro vivo
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de colaboração premiada, que o grupo político ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em supostas vantagens indevidas na Bahia. A acusação consta de um dos anexos da proposta, que foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por falta de elementos suficientes para corroborar os relatos.
Segundo o relato de Vorcaro, aproximadamente R$ 2 milhões mensais seriam repassados por meio de contratos entre o Banco Master e a PKL One, empresa relacionada à operação do Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos da Bahia. Outros R$ 1 milhão seriam pagos em espécie. Vorcaro afirmou ainda que haveria outras formas de repasse, incluindo distribuição de lucros e dividendos e contratos que classificou como fictícios.
O ex-banqueiro, porém, disse não ter presenciado diretamente o suposto acordo. De acordo com o relato, ele teria tomado conhecimento das informações por meio de seu ex-sócio Augusto Lima, que nega as acusações.
🏦 Contrato da PKL One
O contrato entre o Banco Master e a PKL One prevê pagamentos mensais próximos de R$ 2 milhões, segundo documentos mencionados na reportagem. Esse registro, entretanto, não identifica Jaques Wagner ou outros políticos como beneficiários e não comprova que os valores tenham sido utilizados para pagamento de propina.
A PKL One também aparece em outra frente da investigação sobre o Banco Master. Em outubro de 2025, a empresa realizou uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira, ligada à família de Eduardo Sodré, enteado de Wagner. A operação é investigada pela PF, que apura a natureza dos pagamentos. As empresas envolvidas sustentam que os serviços foram regulares e formalizados.
O Credcesta também integra o histórico de relações investigadas entre pessoas ligadas ao Master e Wagner. Em junho, a PF realizou uma operação envolvendo o senador e Augusto Lima e apurou, entre outros pontos, relações financeiras e empresariais ligadas à plataforma de crédito consignado. Essas investigações são distintas da acusação específica dos R$ 3 milhões mensais apresentada por Vorcaro.
⚠️ Colaboração foi rejeitada
A proposta de colaboração de Vorcaro não avançou. A PF interrompeu as negociações e a PGR recusou o acordo por considerar que os relatos apresentados não estavam acompanhados de elementos suficientes de corroboração. Portanto, as declarações sobre os supostos pagamentos não foram validadas como fatos comprovados pelas autoridades.
🗣️ Defesas negam acusações
A defesa de Jaques Wagner nega as acusações e afirma que o senador nunca teve relação com a PKL One nem conhecimento de contratos fictícios envolvendo a empresa. Os advogados também classificaram o relato como falso e oportunista.
A defesa de Augusto Lima igualmente rejeita as acusações e afirma que os serviços contratados pela PKL One foram efetivamente prestados e que não houve irregularidades.
A defesa de Vorcaro, por sua vez, não confirmou o conteúdo divulgado dos supostos anexos e questionou a origem, a autenticidade e a integridade do material relacionado às tratativas de colaboração.



