🔎 Auditoria analisou 32 unidades do programa e identificou problemas na comprovação de refeições, pagamentos superiores ao previsto e até cozinha que não funcionava
Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou falhas na execução e na prestação de contas do Programa Cozinha Solidária, política criada em 2023 e integrada ao Plano Brasil Sem Fome, do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
O levantamento analisou 32 unidades, que receberam aproximadamente R$ 14 milhões em repasses entre 2024 e 2025. Segundo a CGU, 62% da amostra apresentou problemas na comprovação da entrega das refeições.
Entre os achados estão fotografias repetidas, documentos com inconsistências e relatos de pessoas que afirmaram não ter recebido as refeições registradas na prestação de contas.
A auditoria também identificou pagamentos duplicados ou superiores às quantidades previstas em alguns casos. Em Brasília, por exemplo, uma entidade recebeu dois pagamentos em dezembro de 2024 como se a produção mensal tivesse sido duplicada, mas não apresentou documentação que comprovasse a distribuição adicional.
Em Cantá (RR), uma das cozinhas recebeu recursos correspondentes a 4 mil refeições, mas a CGU conseguiu comprovar apenas 1.092. O relatório também apontou que cestas básicas foram contabilizadas como refeições.
Já em São Leopoldo (RS), duas cozinhas receberam pagamentos correspondentes a quantidades superiores às previstas nos contratos. Em outro caso, em Sergipe, a auditoria apontou que uma cozinha incluída no planejamento de repasses não chegou a funcionar.
🏛️ MDS diz ter adotado medidas
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) informou que já havia identificado inconsistências em algumas parcerias e adotado medidas como suspensão de repasses, bloqueio de contas e rescisão de instrumentos.
O ministério também afirmou que está aprimorando os mecanismos de fiscalização e que as prestações de contas continuam sendo analisadas. Segundo a pasta, valores que não tenham comprovação adequada estão sendo glosados.
A auditoria, contudo, não examinou todas as cozinhas do programa. Na época analisada, o Cozinha Solidária contava com 384 unidades distribuídas em 21 parcerias. Assim, os achados da CGU correspondem à amostra fiscalizada e não permitem afirmar que as mesmas irregularidades ocorram em todo o programa.



