BRASÍLIA – Em uma sessão relâmpago e com um resultado que chocou o Palácio do Planalto, o plenário do Senado Federal rejeitou, na noite desta quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Foram 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis, sete a menos do que os 41 necessários para a aprovação.
O revés marca a primeira vez em 132 anos que a Casa nega um nome indicado pela Presidência da República para a Corte. O último precedente ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.
O Clima da Votação
A votação secreta durou pouco mais de sete minutos e ocorreu logo após uma sabatina exaustiva de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde Messias havia sido aprovado por um placar apertado (16 a 11).
- Oposição em festa: Parlamentares da oposição comemoraram abertamente no plenário, classificando o resultado como um “resgate da independência do Senado”.
- Governo em choque: Líderes governistas, que previam entre 45 e 48 votos favoráveis, ficaram perplexos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), encerrou a sessão às 19h15, logo após a leitura do resultado.

Fatores Decisivos
Analistas políticos apontam que a derrota foi construída por uma combinação de fatores:
- Falta de Articulação: A base aliada não conseguiu conter as dissidências em partidos de centro, como o União Brasil e o PSD.
- Pressão de Alcolumbre: O presidente da Casa vinha sinalizando preferência pelo nome de Rodrigo Pacheco para a vaga, criando uma resistência silenciosa à indicação de Messias.
- Perfil do Indicado: Embora tenha buscado apoio da bancada evangélica ao se declarar “totalmente contra o aborto”, a forte ligação de Messias com o PT e o episódio do áudio de 2016 (o “Bessias”) pesaram contra ele no plenário.
O Que Acontece Agora?
Com a rejeição, o processo de Jorge Messias é definitivamente arquivado. A vaga aberta pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso permanece indefinida.
Fontes próximas ao Palácio do Planalto indicam que Lula pode segurar a nova indicação até que a “poeira baixe”, possivelmente enviando um novo nome apenas após as eleições de outubro, para evitar que o tema seja usado politicamente durante a campanha. Messias, após o resultado, declarou que o “Senado é soberano” e retornará às suas funções como Advogado-Geral da União.



