TAGUATINGA (DF) – A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga uma série de mortes suspeitas ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Três técnicos de enfermagem foram presos sob a suspeita de envolvimento direto nos óbitos de pelo menos três pacientes entre novembro e dezembro de 2025.
A ação faz parte da Operação Anúbis, deflagrada após o hospital identificar circunstâncias atípicas em mortes recentes e acionar as autoridades. As prisões ocorreram em duas fases ao longo do mês de janeiro de 2026.

Avanço das investigações
Segundo a PCDF, o principal investigado, Marcos Vinícius de Araújo, teve participação central nos crimes e confessou os fatos após ser confrontado com imagens do circuito interno de segurança da unidade hospitalar. Inicialmente, os suspeitos alegaram que apenas administravam medicamentos prescritos, mas o material analisado pela polícia indicou condutas incompatíveis com os protocolos médicos.
As investigações apontam que substâncias potencialmente letais foram aplicadas diretamente na veia de pacientes internados na UTI, provocando paradas cardiorrespiratórias. Após as aplicações, ainda de acordo com a polícia, o suspeito simulava tentativas de reanimação para mascarar a real causa das mortes.
Vítimas identificadas
Até o momento, três vítimas foram oficialmente confirmadas:
- João Clemente Pereira, 63 anos, servidor público da Caesb;
- Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, servidor dos Correios;
- Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, professora aposentada.

Outros óbitos ocorridos no mesmo período seguem sob análise e não estão descartados pela polícia.
Outros envolvidos
Além de Marcos Vinícius, as técnicas de enfermagem Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva também foram presas. Elas são investigadas por possível coautoria, omissão e negligência, já que teriam presenciado irregularidades e não comunicado os fatos às autoridades ou à direção do hospital.
Posição do hospital
Em nota oficial, o Hospital Anchieta afirmou que também é vítima da ação dos ex-funcionários. A instituição informou que, ao identificar padrões incomuns nos óbitos, iniciou uma apuração interna, afastou os profissionais envolvidos e acionou imediatamente a Polícia Civil, colaborando integralmente com as investigações.
Próximos passos
Os suspeitos permanecem presos preventivamente enquanto a PCDF aprofunda a análise de provas técnicas, laudos periciais e prontuários médicos. O caso segue em investigação, e novas prisões ou indiciamentos não estão descartados.










