Uma operação policial realizada na manhã desta segunda-feira, 20 de abril de 2026, na comunidade do Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro, provocou momentos de tensão, com tiroteios intensos, bloqueios de vias estratégicas e turistas impedidos de deixar um dos pontos turísticos mais visitados da região.
A ação teve como alvo integrantes do Comando Vermelho que atuam no sul da Bahia, especialmente nas áreas de Caraíva e Trancoso. A operação foi conduzida pelo Ministério Público da Bahia, com apoio de agentes da Polícia Civil do Rio, incluindo equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

🔫 Confronto intenso e cidade impactada
Durante a incursão, houve troca de tiros em diferentes pontos da comunidade, gerando pânico entre moradores. Imagens registradas no local mostram helicópteros da polícia sobrevoando o Vidigal em baixa altitude, enquanto equipes avançavam por terra.
Criminosos reagiram à presença policial e chegaram a interditar a Avenida Niemeyer — uma das principais ligações entre bairros da Zona Sul — utilizando um ônibus atravessado e contêineres de lixo.
A via foi liberada por volta das 6h50, com escolta da Polícia Militar para garantir a segurança dos motoristas que trafegavam pela região.

🧗 Turistas ilhados no Morro Dois Irmãos
O episódio teve impacto direto no turismo local. Cerca de 200 pessoas ficaram presas no topo do Morro Dois Irmãos, um dos mirantes mais procurados da cidade, especialmente ao amanhecer.
Sem possibilidade de descer devido ao tiroteio, os turistas permaneceram no local enquanto a operação estava em andamento. Guias orientaram o grupo a permanecer abaixado e evitar exposição durante os disparos.
Após a estabilização da situação, por volta das 7h20, os visitantes conseguiram deixar o morro, descendo pela comunidade sob escolta de blindados e viaturas policiais.
Relatos indicam que, apesar do susto, a evacuação foi conduzida de forma organizada.

🎯 Alvo da operação e contexto interestadual
O principal alvo da ação era Edinaldo Pereira Souza, conhecido como “Dadá”, apontado como líder do tráfico de drogas em regiões turísticas do sul da Bahia.
Segundo as investigações:
- Ele havia fugido de um presídio baiano em 2024
- Estava escondido no Rio sob proteção do Comando Vermelho
- Nos dias anteriores à operação, alugou uma casa no Vidigal, onde realizava um encontro com familiares e aliados
A movimentação foi monitorada pelo Ministério Público da Bahia, que coordenou a operação para cumprir mandados judiciais no Rio de Janeiro.
Durante a ação, o suspeito conseguiu fugir por uma passagem estreita, deixando outras pessoas para trás. Uma mulher foi presa, identificada como Núbia Santos de Oliveira, suspeita de atuar na lavagem de dinheiro da organização criminosa.

⚠️ Impacto e leitura do cenário
O caso evidencia como operações contra o crime organizado podem afetar diretamente áreas turísticas e de grande circulação, mesmo fora dos principais eixos de atuação das facções.
Além disso, reforça:
- A integração entre grupos criminosos em diferentes estados
- O uso do Rio de Janeiro como base estratégica
- A vulnerabilidade de regiões turísticas diante de ações policiais de grande escala
Apesar da gravidade, a situação foi controlada ainda nas primeiras horas da manhã, sem registros imediatos de vítimas entre turistas.

📊 Conclusão
A operação no Vidigal expôs um cenário de risco real, porém pontual, onde a presença do crime organizado e a resposta das forças de segurança impactaram diretamente moradores e visitantes.
O episódio chama atenção principalmente pelo fato de turistas terem ficado temporariamente isolados em um dos cartões-postais da cidade — um lembrete claro de como eventos desse tipo podem ultrapassar o campo da segurança pública e atingir também o turismo e a imagem internacional do Rio.



