Relatórios do Coaf enviados à CPMI do INSS mostram que o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria recebeu R$ 34 milhões da J&F entre outubro de 2024 e outubro de 2025.
Os documentos, divulgados por veículos como o g1 e o Metrópoles, apontam que os repasses ocorreram em 15 operações, com pagamentos recorrentes de R$ 1 milhão e um depósito atípico de R$ 5 milhões em dezembro de 2024.
📅 Proximidade com contrato público
Um dos pontos que chamaram atenção foi a coincidência temporal entre os pagamentos e a atuação do PicPay — empresa controlada pela J&F — junto ao Governo do Distrito Federal (GDF).
O contrato para oferta de antecipação salarial a servidores foi assinado em 16 de setembro de 2024, com credenciamento oficial publicado em 30 de setembro. Poucos dias depois, em 4 de outubro, foi registrado um repasse de R$ 1 milhão ao escritório.
À época, o PicPay era a única empresa habilitada a operar o serviço.

⚖️ Apuração e questionamentos
As movimentações foram comunicadas pelo banco Santander ao Coaf e posteriormente encaminhadas à comissão parlamentar, que investiga o programa “Meu INSS Vale+”, relacionado à antecipação de benefícios.
O modelo também está sob análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal, e novos adiantamentos foram suspensos temporariamente.
🗣️ O que dizem os envolvidos
O governador Ibaneis Rocha afirmou que não há irregularidade no contrato e declarou que se afastou da gestão do escritório ao assumir o cargo público.
A J&F informou que os pagamentos se referem a serviços jurídicos prestados há anos e negou qualquer relação entre os repasses e decisões do governo. O escritório também afirmou que atua em centenas de processos para o grupo e repudiou interpretações que, segundo a defesa, “criminalizam a advocacia”.
📌 Situação atual
Até o momento, não há conclusão de irregularidade. O caso está sob análise de órgãos de controle e no âmbito da CPMI, que apura possíveis inconsistências no modelo de antecipação financeira oferecido a servidores e beneficiários.



