Justiça nega pedido de ressarcimento contra o Bradesco após emissora sofrer sequência de transferências via Pix em menos de uma hora
A rede de rádio e televisão Jovem Pan sofreu um prejuízo de aproximadamente R$ 175 mil após cair em um golpe telefônico aplicado por criminosos que se passaram por representantes do banco Bradesco. O caso ocorreu em setembro de 2025 e a decisão judicial foi divulgada em maio de 2026.
Segundo informações publicadas pelo UOL, o golpe foi executado em cerca de 40 minutos e resultou em 18 transferências via Pix realizadas diretamente da conta empresarial da emissora.
📞 Como o golpe aconteceu
De acordo com o processo, um criminoso entrou em contato com funcionários da Jovem Pan fingindo ser gerente do Bradesco.
Durante a ligação, o golpista alegou a necessidade de instalar um suposto sistema de atendimento empresarial para melhorar a comunicação entre a empresa e o banco.
Os funcionários receberam um link fraudulento e, após acessarem o conteúdo, acabaram fornecendo dados bancários sensíveis, incluindo:
- senhas;
- tokens de autenticação;
- informações de acesso corporativo.
Com as credenciais em mãos, os criminosos conseguiram acessar a conta da empresa e iniciar uma série de transferências via Pix.
💸 18 transferências foram feitas em poucos minutos
As movimentações financeiras ocorreram rapidamente e totalizaram R$ 175,3 mil.
Segundo os autos do processo, o sistema bancário chegou a identificar parte das operações como suspeitas. No entanto, algumas transações foram confirmadas pelos próprios responsáveis da conta após contato feito durante o golpe.
A fraude só foi percebida após a sequência de movimentações consideradas fora do padrão habitual da empresa.
⚖️ Justiça negou devolução do dinheiro
Após o prejuízo, a Jovem Pan acionou a Justiça contra o Bradesco pedindo o ressarcimento integral do valor perdido.
A emissora argumentou que o banco falhou nos mecanismos de segurança ao permitir diversas transferências sucessivas em curto espaço de tempo.
O caso foi analisado pela juíza Rossana Luiza de Faria, da 9ª Vara Cível de Osasco, que decidiu negar o pedido da empresa.
Na sentença, a magistrada entendeu que a fraude ocorreu fora do ambiente de controle do banco e destacou que os próprios representantes da empresa forneceram voluntariamente os dados utilizados pelos criminosos.
Com isso, a Justiça concluiu que não houve responsabilidade direta da instituição financeira pela perda dos valores.
🛡️ Golpes de engenharia social preocupam empresas
Especialistas apontam que golpes baseados em engenharia social vêm crescendo nos últimos anos, especialmente contra empresas e contas corporativas.
Nesse tipo de fraude, criminosos manipulam vítimas por telefone, aplicativos ou e-mails para obter:
- acessos bancários;
- códigos de autenticação;
- permissões internas;
- dados financeiros sensíveis.
O avanço do Pix e das transações instantâneas também aumentou a velocidade das fraudes, dificultando o bloqueio dos valores após as transferências.
A Jovem Pan ainda pode recorrer da decisão judicial em instâncias superiores.



