Investigação aponta uso de empresas de transporte, rodeios e setor musical para movimentar recursos do tráfico internacional de drogas
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram nesta sexta-feira (8) a Operação Caronte, ação que mira um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O principal alvo da investigação é o influenciador Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”, ex-padrasto do funkeiro MC Ryan SP.
Segundo as autoridades, Magrini é suspeito de utilizar empresas de transporte, rodeios e negócios ligados ao setor musical para ocultar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas e de outras atividades criminosas atribuídas à facção.
💰 Empresas e “laranjas” teriam sido usados para esconder dinheiro
De acordo com as investigações, a movimentação financeira ocorria por meio de sócios “laranjas” e empresas registradas em nome de terceiros.
Os investigadores afirmam que:
- empresas de transporte;
- negócios do ramo de rodeios;
- e companhias ligadas ao setor musical
teriam sido utilizados para movimentar milhões de reais de origem ilícita sem levantar suspeitas dos órgãos de fiscalização.
A análise de dados bancários, fiscais e relatórios do COAF identificou movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
🚔 Operação cumpre mandados em várias cidades paulistas
A Operação Caronte é conduzida em conjunto pelo Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro (NECCOLD), pela Polícia Civil e pelo Gaeco de Campinas.
Ao todo, foram cumpridos:
- 11 mandados de busca e apreensão;
- bloqueio judicial de R$ 10 milhões;
- apreensão de veículos, caminhões e dinheiro em espécie.
As ações ocorreram nas cidades de:
- Campinas;
- Atibaia;
- Monte Mor;
- Sumaré;
- Limeira;
- Mogi das Cruzes;
- Osasco;
- Taquaritinga.
Entre os bens apreendidos estão automóveis de luxo, caminhões e animais de alto valor comercial, incluindo o boi “Império”, considerado um dos mais valorizados do país no setor de rodeios.
📱 Investigação aponta ostentação nas redes sociais
Segundo a polícia, Eduardo Magrini utilizava as redes sociais para exibir uma vida de luxo, com:
- carros importados;
- viagens internacionais;
- participação em rodeios;
- patrimônio milionário.
Nas plataformas digitais, ele se apresentava como produtor rural e influenciador ligado ao universo sertanejo e de rodeios.
As autoridades afirmam que o padrão de vida demonstrado nas redes sociais não era compatível com os rendimentos oficialmente declarados.
👨👦 Filho de Magrini também é investigado
As investigações atingem também Mateus Magrini, filho de Eduardo Magrini.
Segundo a apuração, ele seria responsável por movimentar parte dos recursos investigados através de empresas ligadas ao setor musical.
Mateus já havia sido citado anteriormente na Operação Narco Fluxo, que também envolveu MC Ryan SP.
Para os investigadores, as relações familiares ajudam a sustentar a hipótese de um núcleo voltado à lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
⚠️ Ligação com PCC e plano contra promotor
Eduardo Magrini já estava preso preventivamente desde outubro de 2025 após investigações conduzidas pelo Gaeco de Campinas.
Ele é apontado como integrante importante do PCC e suspeito de envolvimento em um plano da facção para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.
As investigações também apuram possível ligação de Magrini com a chamada “Sintonia FM” do PCC, setor que seria responsável pela administração financeira e operacional de pontos de tráfico.
🔥 Suspeita de envolvimento nos ataques de 2006
Segundo as autoridades, Eduardo Magrini também é investigado por suposta participação na coordenação dos ataques promovidos pelo PCC em maio de 2006 contra bases policiais, delegacias e estruturas de segurança pública em São Paulo.
Os atentados, considerados a maior ofensiva criminosa da história do estado, completam 20 anos na próxima semana.
De acordo com os investigadores, Magrini teria atuado especialmente em ações direcionadas contra estruturas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
⚖️ Operação marca integração contra crime organizado
A Operação Caronte também simboliza um novo modelo de integração entre Ministério Público e Polícia Civil no combate:
- ao crime organizado;
- à lavagem de dinheiro;
- e ao financiamento do tráfico internacional.
A defesa de Eduardo Magrini não havia se manifestado até a publicação da reportagem.



