Uma operação de grande porte da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, com atuação do BOPE, resultou na morte de oito pessoas na manhã desta quarta-feira (18), em comunidades da região central do Rio de Janeiro. A ação integra uma ofensiva iniciada no dia anterior para desarticular estruturas do Comando Vermelho ligadas ao tráfico de drogas e roubo de veículos.
Entre os mortos está Claudio Augusto dos Santos, conhecido como “Jiló dos Prazeres”, de 55 anos, apontado pela polícia como uma das principais lideranças do tráfico no Morro dos Prazeres. Considerado um criminoso de alta periculosidade, ele acumulava diversas passagens pela polícia e múltiplos mandados de prisão por crimes como tráfico de drogas, sequestro, cárcere privado e constrangimento ilegal. Jiló também era investigado por participação na morte de um turista italiano em 2016, após a vítima entrar por engano na comunidade.
Segundo a Polícia Militar, o confronto mais intenso ocorreu dentro da residência do morador Leandro Silva Souza, que teve a casa invadida por criminosos durante a operação. Ele e sua esposa foram feitos reféns por seis suspeitos. Equipes do BOPE iniciaram uma tentativa de negociação, mas, de acordo com o comandante da unidade, houve disparos vindos do interior do imóvel, o que desencadeou a reação dos policiais. Durante o confronto, os seis criminosos foram mortos. Leandro foi atingido por um tiro na cabeça e não resistiu. A origem do disparo ainda será investigada. A esposa da vítima foi resgatada em estado de choque, mas sem ferimentos.
Imagens registradas por moradores e divulgadas nas redes sociais mostram o interior da residência após a ação: o local ficou marcado por intensa troca de tiros, com cápsulas de fuzil espalhadas pelo chão, paredes perfuradas e manchas de sangue. Em vídeos, é possível ouvir relatos emocionados de testemunhas e o choro de moradores diante da violência da cena.
Paralelamente, Jiló foi localizado e morto em outro ponto da comunidade, também durante confronto com as forças de segurança. Com isso, o número total de mortos na operação chegou a oito — sendo sete suspeitos e um civil.
Como resposta à ação policial, criminosos realizaram ataques coordenados na região do Rio Comprido e arredores. Ônibus foram incendiados e outros veículos tiveram as chaves retiradas, sendo atravessados nas vias para formar barricadas e dificultar o avanço policial. A Avenida Paulo de Frontin, uma das principais ligações entre o Centro e a Zona Sul da cidade, foi interditada, causando impacto significativo no trânsito.
O sistema de transporte público também foi afetado. Diversas linhas de ônibus tiveram itinerários alterados, e o funcionamento do comércio local foi parcialmente interrompido após ordens de criminosos para fechamento das lojas. Equipes do Centro de Operações monitoraram interdições em vias importantes, como ruas do Catumbi e do próprio Rio Comprido.

De acordo com a PM, a operação contou com cerca de 150 agentes, apoio de batalhões da região, viaturas e veículos blindados. A ação foi planejada em fases, incluindo intervenção tática, estabilização da área, busca por suspeitos e posterior desmobilização.
As investigações continuam para apurar as circunstâncias da morte do morador e identificar outros envolvidos nas ações criminosas. O caso reacende o debate sobre os impactos de operações policiais em áreas densamente povoadas e os riscos para a população civil em meio a confrontos armados.










