Teerã — O Irã enfrenta crescente pressão internacional após organizações de direitos humanos e veículos da imprensa estrangeira informarem que o governo iraniano marcou a execução de um manifestante detido durante os protestos iniciados no fim de dezembro de 2025. Caso seja confirmada, a medida representaria a primeira execução relacionada diretamente a essa nova onda de manifestações.
O caso de Erfan Soltani
Segundo a ONG curdo-iraniana Hengaw, o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso no dia 8 de janeiro, na cidade de Fardis, na província de Alborz. Organizações de direitos humanos afirmam que ele foi condenado à morte em um processo acelerado, que teria durado poucos dias, sem acesso adequado a advogado ou a um julgamento público.
De acordo com os relatos, a família de Soltani foi informada pelas autoridades de que a execução por enforcamento estaria programada para esta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026. Até o momento, não há confirmação oficial de que a sentença tenha sido cumprida.
Repressão aos protestos
As manifestações no Irã, inicialmente motivadas por reivindicações econômicas, se espalharam por diversas cidades e passaram a incluir críticas diretas ao regime teocrático. Organizações independentes, como a Human Rights Activists News Agency (HRANA), relatam centenas de mortos e milhares de detenções, embora os números variem devido às restrições impostas pelo governo à circulação de informações.
Relatórios também apontam para um apagão parcial da internet, utilizado pelas autoridades para dificultar a organização dos protestos e a divulgação de imagens da repressão.

Reação internacional
A possível execução gerou forte repercussão internacional. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos manifestou preocupação com o uso da pena de morte contra manifestantes, classificando a prática como incompatível com padrões internacionais de direitos humanos.
Autoridades dos Estados Unidos e de países europeus alertaram para possíveis consequências diplomáticas caso execuções de manifestantes sejam levadas adiante. O governo iraniano, por sua vez, sustenta que age contra o que chama de “atos de sabotagem” e “ameaças à segurança nacional”, atribuindo os protestos à influência estrangeira.

Situação indefinida
Até a manhã desta quarta-feira, não houve confirmação oficial do cumprimento da execução, enquanto o clima permanece tenso em cidades como Teerã, Karaj e Fardis, sob forte presença das forças de segurança.
Organizações de direitos humanos seguem pedindo a suspensão imediata da pena, acesso a defesa legal e observadores independentes para acompanhar os julgamentos relacionados aos protestos.










