São Paulo, 21 de março de 2026 — O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, principal suspeito da morte da soldado da PM Gisele Alves Santana, passou mal na quinta-feira (19/03/2026) no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital. O episódio ocorreu logo após ele participar de audiência de custódia por videoconferência no Tribunal de Justiça Militar, na qual sua prisão preventiva foi mantida. Neto foi encaminhado ao Hospital Policial Militar, medicado e liberado para retornar ao presídio. Segundo relatos, ele estava há dias sem dormir, apresentava fortes dores no peito e pressão alta.
Prisão e Status de Réu
O tenente-coronel foi preso preventivamente em 18/03/2026, em São José dos Campos, por ordem da Justiça Militar, e tornou-se réu em processo que tramita também na Justiça comum. Ele responde por feminicídio qualificado — assassinato motivado por gênero e sentimento de posse — e fraude processual, por supostamente tentar simular suicídio da esposa.
Pedidos de liberdade da defesa, que questionava a competência da Justiça Militar e a existência de dupla prisão, foram negados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro relator, Reynaldo da Fonseca, apontou que não houve descumprimento de decisões anteriores do tribunal e considerou a reclamação incabível.

Versão do Acusado
Em audiência de custódia, Neto reiterou que a esposa teria cometido suicídio no apartamento do casal, no bairro do Brás, em 18 de fevereiro de 2026. Ele afirmou que a arma usada no disparo foi apreendida no local e descreveu o tratamento recebido pelos policiais durante sua prisão como “educado e cordial”. Neto também informou que estava em licença-prêmio e não exercia suas funções no momento do crime.
A defesa do oficial questiona a atuação das duas jurisdições e afirma que ele mantém a postura de colaboração com as autoridades. Em nota, reforçou confiança na condução da investigação e pediu o respeito à intimidade e à honra do réu.
Evidências e Conduta no Local do Crime
Imagens de body cam e gravações de áudio da PM revelaram que Neto:
- Insistiu em entrar no banheiro e circular pelo apartamento, mesmo após orientações para preservar a cena do crime;
- Afastou equipes de menor patente, permitindo alterações na cena;
- Retornou ao imóvel diversas vezes e removeu objetos e roupas, o que pode ter comprometido vestígios;
- Não tinha resíduos de pólvora nas mãos durante exame residuográfico, reforçando suspeitas de manipulação da cena.
Segundo a investigação, essas atitudes, aliadas à hierarquia do acusado, contribuíram para enfraquecer a tese de suicídio e reforçar a suspeita de homicídio.

Contexto do Crime
De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu após uma discussão motivada pelo desejo de separação da vítima. O acusado teria agido com sentimento de posse e recusa em aceitar o término do relacionamento, surpreendendo a esposa sem chance de defesa. Há indícios de que ele tentou simular suicídio, posicionando a arma na mão da vítima e alterando elementos do apartamento.
Situação Atual
O tenente-coronel permanece preso preventivamente, enquanto o processo segue em trâmite na Justiça Militar e na Justiça comum. A defesa mantém a versão de suicídio, enquanto a investigação considera a conduta de Neto e as evidências encontradas incompatíveis com essa narrativa. Novas perícias e decisões judiciais ainda devem complementar o caso.











