Ao contrário do senso comum, o Brasil não lidera o ranking da gasolina mais cara da América Latina, mas também está longe de ser um paraíso para o consumidor. Em janeiro de 2026, o país ocupa uma posição intermediária no ranking regional, por volta do 16º lugar.
A percepção de que o brasileiro “paga muito mais” surge principalmente da comparação com países vizinhos que adotam subsídios pesados ou têm tributação mínima sobre combustíveis, como Paraguai e Venezuela.
🚨 Por que a gasolina no Brasil pesa tanto no bolso?
Três fatores explicam por que o preço nas bombas brasileiras costuma superar o de vários vizinhos.
1️⃣ Impostos elevados: o maior vilão do preço
No Brasil, 35% a 40% do valor final da gasolina é imposto.
- ICMS (estadual): principal componente. Desde 2025, a adoção de alíquotas fixas elevou o preço de forma imediata.
- PIS/Cofins e CIDE (federais): enquanto países vizinhos reduzem tributos para conter inflação, o Brasil mantém esses impostos para financiar o orçamento e a seguridade social.

2️⃣ Dólar e política de preços
Mesmo após o fim do PPI rígido em 2023, o mercado internacional ainda pesa no valor final.
- Dólar valorizado: petróleo é cotado em moeda estrangeira; real fraco significa combustível mais caro.
- Dependência externa: o Brasil ainda importa entre 15% e 25% da gasolina que consome, arcando com frete, seguros e taxas.
3️⃣ Logística cara e mistura obrigatória
- Frete rodoviário: transportar combustível por milhares de quilômetros encarece o produto, especialmente no interior.
- Mistura de etanol: a gasolina brasileira tem 27% de etanol anidro (com debates para chegar a 35%). O preço do etanol varia conforme a safra, adicionando instabilidade ao custo final.

📊 Comparativo regional — preço da gasolina (jan/2026)
Valores aproximados em dólar por litro, ilustrados no gráfico acima:
- Venezuela: US$ 0,03 — subsídio estatal extremo
- Paraguai: US$ 0,89 — impostos baixos
- Argentina: US$ 1,15 — preços controlados e produção local
- Brasil: US$ 1,16 — impostos altos e logística cara
- Uruguai: US$ 2,00 — importação total e forte tributação
O Ranking da Região (Preços em US$ por Litro)
- Venezuela – US$ 0,035 /L
- Equador – US$ 0,706 /L
- Guiana – US$ 0,814 /L
- Panamá – US$ 0,840 /L
- Paraguai – US$ 0,898 /L
- Honduras – US$ 0,947 /L
- Guatemala – US$ 0,977 /L
- Bolívia – US$ 1,008 /L
- El Salvador – US$ 1,016 /L
- Suriname – US$ 1,097 /L
- Granada – US$ 1,125 /L
- Haiti – US$ 1,130 /L
- Colômbia – US$ 1,140 /L
- Trinidad e Tob – US$ 1,141 /L Argentina – US$ 1,159 /L
- Jamaica – US$ 1,160 /L
- Brasil – US$ 1,167 /L
- Peru – US$ 1,203 /L
- Rep. Dominicana – US$ 1,204 /L
- Costa Rica – US$ 1,280 /L
- Cuba – US$ 1,295 /L
- Santa Lúcia – US$ 1,302 /L
- Domínica – US$ 1,328 /L
- Nicarágua – US$ 1,332 /L
- Chile – US$ 1,373 /L
- México – US$ 1,439 /L
- Bahamas – US$ 1,449 /L
- Belize – US$ 1,722 /L
- Barbados – US$ 1,927 /L
- Uruguai – US$ 2,009 /L.
💡 Curiosidade
O Uruguai é praticamente o único país da América do Sul onde a gasolina custa bem mais que no Brasil, chegando a quase o dobro do preço, devido à falta de petróleo e à elevada carga tributária ambiental.










