Militares apontam parceria entre PCC, CV e grupos dissidentes colombianos em crimes como narcotráfico, garimpo ilegal e exploração clandestina de madeira na região de fronteira
As Forças Armadas da Colômbia confirmaram a atuação conjunta entre dissidentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e facções criminosas brasileiras que operam na Amazônia. A declaração foi feita durante ações da Operação Ágata, realizada desde abril na região de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.
A informação foi divulgada pelo coronel colombiano Rodriguez Contreras Carlos em entrevista ao g1. Segundo o militar, organizações criminosas brasileiras como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) mantêm alianças estratégicas com grupos armados colombianos ligados às dissidências das Farc.
🌎 Aliança criminosa opera em área estratégica da Amazônia
De acordo com o coronel, a cooperação acontece principalmente com estruturas conhecidas como “Comandos de Fronteira” e a frente “Carolina Ramírez”, grupos formados por dissidentes das Farc que recusaram o acordo de paz firmado na Colômbia em 2016.
Essas organizações atuam em regiões de difícil acesso na floresta amazônica, aproveitando a extensa malha de rios da fronteira para movimentar drogas, ouro ilegal, armas e madeira extraída clandestinamente.
Segundo o militar colombiano:
“Várias estruturas de delinquência organizada do Brasil estão presentes na Colômbia e têm esse relacionamento com os Comandos de Fronteira e a Carolina Ramírez.”
💊 Narcotráfico continua sendo principal fonte de renda
As autoridades afirmam que o tráfico de drogas segue como a principal atividade das organizações criminosas na região.
A Amazônia tornou-se uma rota estratégica para o transporte de cocaína produzida no Peru e na Colômbia. A droga é levada pelos rios amazônicos até centros urbanos brasileiros e, posteriormente, enviada para outros países.
As facções brasileiras utilizam sua estrutura logística e influência em presídios, portos e grandes cidades para ampliar a distribuição da droga dentro e fora do Brasil.

⛏️ Garimpo ilegal e crimes ambientais ganharam força
Além do narcotráfico, as investigações apontam crescimento da participação das facções em crimes ambientais.
Segundo o coronel colombiano, os grupos armados atuam diretamente em:
- garimpo ilegal;
- extração clandestina de madeira;
- ocupação de áreas protegidas;
- lavagem de dinheiro ligada à exploração mineral.
O avanço dessas atividades tem provocado preocupação entre autoridades ambientais e forças de segurança devido ao aumento da destruição da floresta amazônica.
📚 Estudo aponta mudança no perfil do crime organizado
Dados do estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que facções como PCC e CV passaram a tratar crimes ambientais como parte estratégica de suas operações.
Segundo os pesquisadores, os grupos criminosos perceberam que atividades ilegais ligadas à floresta:
- geram alto lucro;
- facilitam lavagem de dinheiro;
- fortalecem domínio territorial;
- financiam expansão criminosa.
O estudo também indica que rios como o Solimões e seus afluentes passaram a ser usados como corredores logísticos tanto para drogas quanto para produtos oriundos de crimes ambientais.
🪙 Ouro ilegal é usado como moeda no tráfico
Informações obtidas pelo g1 indicam que o ouro extraído ilegalmente dos garimpos da Amazônia passou a ser utilizado pelas facções criminosas como forma de pagamento pela compra de pasta-base de cocaína no Peru e na Colômbia.
As investigações apontam que o narcotráfico e os crimes ambientais passaram a funcionar de maneira integrada, formando uma rede criminosa transnacional na região amazônica.
🛰️ Operação Ágata amplia cooperação militar entre países
Para enfrentar o avanço dessas organizações, Brasil, Colômbia e Peru intensificaram operações conjuntas de segurança na fronteira amazônica.
As ações incluem:
- compartilhamento de inteligência;
- monitoramento aéreo e fluvial;
- uso de tecnologia militar;
- reforço de tropas;
- integração entre forças policiais e militares.
O chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa do Brasil, almirante Paulo César Bittencourt Ferreira, afirmou que o combate ao crime organizado exige modernização constante das forças de segurança.
Segundo ele, facções criminosas têm utilizado:
- drones;
- armamentos modernos;
- sistemas de comunicação avançados;
- blindagem improvisada;
- logística sofisticada na floresta.
⚠️ Avanço das facções preocupa autoridades
Especialistas em segurança pública alertam que a expansão do PCC e do CV na Amazônia representa uma mudança significativa no modelo do crime organizado na região.
Antes focadas principalmente nas rotas do narcotráfico, as facções passaram a atuar também no controle econômico de atividades ilegais ligadas aos recursos naturais da floresta.
A preocupação das autoridades envolve:
- aumento da violência em áreas isoladas;
- fortalecimento financeiro das facções;
- pressão sobre comunidades indígenas e ribeirinhas;
- avanço da destruição ambiental;
- internacionalização do crime organizado amazônico.



