Um grupo de deputados do Partido Democrata enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, alertando o governo de Donald Trump sobre os riscos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
O documento foi enviado na quarta-feira (6), um dia antes do encontro entre Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca.
Parlamentares citam risco diplomático e eleitoral
Na carta, os deputados afirmam que a medida poderia prejudicar as relações entre Estados Unidos e Brasil e alegam preocupação com possíveis interferências políticas em meio ao cenário eleitoral brasileiro.
Os parlamentares também mencionam o histórico de atuação dos EUA em assuntos internos brasileiros, incluindo referências ao apoio americano ao regime militar após o golpe de 1964.
Segundo o grupo, o combate ao crime organizado deve continuar através de cooperação policial e diplomática já existente entre os dois países, sem ampliar o uso de classificações ligadas ao terrorismo.
PCC e CV seguem no centro do debate
Os deputados reconhecem que PCC e CV representam ameaças à segurança regional, com atuação ligada ao narcotráfico internacional, expansão na América do Sul e impactos ambientais e sociais na Amazônia.
Apesar disso, os parlamentares afirmam que o uso da classificação de “Organização Terrorista Estrangeira” precisa ser feito com cautela para evitar “instrumentalização política”.
O grupo também pediu que o Departamento de Estado apresente ao Congresso evidências formais que justificariam uma eventual designação das facções como terroristas.
Governo americano evita comentar
A CNN informou que procurou o Departamento de Estado dos EUA. Em resposta, um porta-voz afirmou que o governo não comenta correspondências do Congresso nem antecipa possíveis classificações de organizações terroristas.
Atualmente, PCC e CV não são oficialmente classificados pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras.



