A Polícia Federal deflagrou a Operação Fallax para investigar um esquema de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro que, segundo os investigadores, envolvia o Grupo Fictor e células da facção criminosa Comando Vermelho (CV). A apuração indica que ambos utilizavam mecanismos semelhantes para movimentar e ocultar recursos ilícitos no sistema financeiro.
A operação foi realizada na quarta-feira (25) em três estados e resultou na prisão de ao menos 15 suspeitos, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão. As fraudes investigadas podem ultrapassar R$ 500 milhões.
Como funcionava o esquema, segundo a PF
De acordo com a investigação, o grupo teria estruturado um modelo sofisticado de fraude financeira baseado em:
- Criação de empresas de fachada com sócios laranjas e capital simulado
- Uso de contabilidade fraudada para simular faturamento e atividade econômica
- Movimentações bancárias artificiais entre contas e empresas
- Uso de dados de terceiros na abertura de pessoas jurídicas
- Participação de funcionários de bancos na facilitação de operações
- Obtenção de crédito seguida de inadimplência planejada
Essas empresas eram mantidas ativas por períodos curtos, suficientes para gerar histórico financeiro positivo e viabilizar a obtenção de empréstimos e movimentações de grandes valores antes do abandono.
Participação de instituições financeiras
A PF afirma que o esquema dependia da atuação de funcionários de instituições financeiras, que inseriam dados falsos em sistemas internos, facilitavam aprovações de crédito e viabilizavam transferências indevidas.
Entre as instituições citadas como impactadas estão Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra.
Ligação com o crime organizado
Segundo os investigadores, células do Comando Vermelho também utilizavam a mesma estrutura para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Os valores eram inseridos em empresas fictícias, circulavam por movimentações simuladas e, posteriormente, eram convertidos em bens de alto valor e criptoativos.
A PF descreve o sistema como um “ecossistema criminoso” que conecta empresários, operadores financeiros e integrantes de facções em um mesmo modelo de atuação.
Alvos da operação e andamento das investigações
Entre os alvos da operação está o Grupo Fictor, cujo CEO, Rafael de Gois, foi alvo de mandados de busca e apreensão.
A operação também determinou bloqueio de bens e ativos financeiros que podem chegar a R$ 47 milhões. As investigações tiveram início em 2024, após a identificação de indícios de um sistema estruturado de fraude bancária e lavagem de capitais.
Posicionamento das partes
Os investigados afirmam que colaboram com as autoridades e aguardam acesso completo aos autos para apresentar esclarecimentos.
A Caixa Econômica Federal declarou que atua em cooperação com órgãos de controle e reforça seus mecanismos de prevenção e combate a fraudes e lavagem de dinheiro.
Consequências legais
Os envolvidos podem responder por crimes como organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, corrupção e delitos contra o sistema financeiro nacional. Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de prisão.
A Polícia Federal segue analisando o material apreendido para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras do esquema.



