🚔 Ex-presidente da Câmara de São Paulo está preso desde setembro; cinco servidores foram afastados durante investigação sobre possíveis privilégios na unidade prisional
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), foi transferido na manhã de terça-feira (20) da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes para o Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Guarulhos, na Grande São Paulo. A mudança ocorreu três dias após o afastamento de cinco servidores suspeitos de envolvimento em possíveis favorecimentos ao político durante sua custódia.
Milton Leite está preso desde 18 de setembro, quando se entregou à polícia em Mogi das Cruzes. Ele é investigado no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que apura suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo e em estruturas do poder público na capital paulista.
Segundo os investigadores, o ex-vereador teria ligação com empresas que estariam sob controle da organização criminosa. A investigação também apura possíveis irregularidades em contratos de transporte público, licitações, articulações políticas e financiamento de campanhas eleitorais. Milton Leite nega as acusações e declarou anteriormente que acredita na Justiça e pretende provar sua inocência.
🔎 Cinco servidores foram afastados
O afastamento dos servidores ocorreu em meio à Operação Custódia (In)Fiel, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Corregedoria da Polícia Civil para investigar suspeitas de benefícios irregulares concedidos a presos na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes.
Entre os afastados estão a então delegada seccional Margarete Barreto, o diretor da cadeia pública, o delegado titular do 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, um investigador e um carcereiro.
Durante a operação, os investigadores apreenderam aproximadamente R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar possíveis regalias. Dois aparelhos celulares também foram encontrados na cela de Milton Leite.
A apuração busca esclarecer se houve descumprimento das regras da unidade prisional e eventual responsabilidade dos agentes envolvidos na custódia dos presos.
🏛️ Visitas e benefícios estão sob investigação
Entre os pontos investigados estão possíveis visitas fora dos horários permitidos e a entrada de itens não autorizados na unidade. A apuração também envolve a presença de uma televisão e o recebimento de refeições externas.
Em depoimento à Corregedoria, Margarete Barreto afirmou que tinha conhecimento de duas visitas a Milton Leite: uma do deputado estadual Delegado Olim (PP) e outra da esposa do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que é advogada. Segundo a reportagem, Valdemar também estava presente nessa ocasião.
A ex-delegada negou que tenham sido concedidos privilégios aos presos e afirmou que a televisão e a entrega de refeições externas haviam sido autorizadas pelo juiz-corregedor. A Corregedoria pretende analisar documentos apreendidos durante a operação para verificar a regularidade dos procedimentos adotados na cadeia.
⚖️ Defesa nega tratamento privilegiado
Em nota, os advogados de Milton Leite negaram qualquer irregularidade e afirmaram que o ex-presidente da Câmara não recebeu nem recebe regalias ou tratamento diferenciado na unidade prisional.
A defesa também declarou que não teve acesso à investigação conduzida pelo Ministério Público e que Milton Leite e seus representantes estão à disposição para colaborar com as autoridades.
A transferência para o CDP II de Guarulhos ocorreu enquanto as investigações prosseguem. Até que haja conclusões das autoridades competentes, as suspeitas relacionadas tanto à custódia quanto à investigação sobre o PCC devem ser tratadas como alegações ainda sob apuração.










