Estados divergem sobre proposta de zerar ICMS do diesel; União oferece compensação parcial - NACASHOVI NEWS

Estados divergem sobre proposta de zerar ICMS do diesel; União oferece compensação parcial

Brasília, 20 de março de 2026 – A proposta do Ministério da Fazenda de zerar temporariamente o ICMS sobre o diesel importado tem gerado debates acalorados entre União e estados, com resistência técnica e política de diversos governos estaduais. A medida, motivada pela alta dos preços internacionais do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio, visa reduzir o custo do combustível e evitar desabastecimento, mas enfrenta entraves legais, fiscais e operacionais.

Divisão regional

Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste sinalizam tendência de rejeição à medida, alegando riscos à arrecadação e baixa eficácia. Já os estados do Nordeste demonstram maior disposição a apoiar, desde que haja mecanismos de compensação que garantam que o benefício chegue ao consumidor final.

Exemplos:

  • Rio Grande do Sul: o governador Eduardo Leite propõe adesão temporária de dois meses, com a União cobrindo pelo menos 70% da perda de arrecadação.
  • Minas Gerais: o vice-governador Mateus Simões indica rejeição à proposta.
  • São Paulo e Rio de Janeiro: tendem a rejeitar, ainda avaliando alternativas.
  • Centro-Oeste: governadores e secretários apontam risco de perda fiscal e questionam eficácia da medida.
  • Nordeste: Piauí e Bahia se mostram abertos, condicionando a adesão a garantias de repasse efetivo aos consumidores.

Impactos fiscais e legais

O ICMS sobre combustíveis representa uma das principais fontes de arrecadação estadual, com parte obrigatoriamente vinculada a áreas como saúde, educação e segurança pública. Especialistas alertam que a renúncia abrupta do imposto, mesmo temporária, pode comprometer esses serviços essenciais.

Além disso, há questões jurídicas:

  • A desoneração incidiria apenas sobre diesel importado, o que pode ferir o princípio da isonomia tributária.
  • Estados precisariam de mecanismos de compensação para não violar a Lei de Responsabilidade Fiscal.
  • Há risco de fraudes, com agentes declarando diesel nacional como importado para pagar menos imposto.

Segundo o advogado especialista em direito tributário Tiago Câmara, a redução do ICMS nem sempre chega ao consumidor final, podendo ser absorvida por intermediários. Ele sugere que subsídios diretos a caminhoneiros poderiam ser uma alternativa mais rápida e eficaz para reduzir impactos econômicos sem comprometer a arrecadação estadual.

Proposta da União

A proposta apresentada prevê renúncia estimada em R$ 3 bilhões por mês, metade coberta pela União e metade pelos estados. O Ministério da Fazenda espera que a medida seja válida até 31 de maio de 2026, período alinhado à desoneração de PIS/Cofins sobre o diesel.

O Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) solicitou documentação formal detalhando impactos fiscais, viabilidade e prazos, destacando a necessidade de consenso entre os estados e eventual aval do Confaz e do Congresso Nacional.

Próximos passos

O tema será debatido em três instâncias:

  • Comissão Técnica Permanente do ICMS – 25 de março
  • Comsefaz – 26 de março
  • Confaz – 27 de março, em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a importância da adesão à proposta, afirmando que a medida poderia ajudar a conter os preços do combustível para a população.

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