LONDRES / DOHA, 19 de março de 2026 – O mercado global de energia registrou forte alta nesta quinta-feira, após ataques aéreos e com mísseis atingirem instalações estratégicas no Oriente Médio, intensificando temores de interrupção no abastecimento mundial.
O gás natural na Europa, referência TTF, subiu entre 21% e 35% em alguns contratos, enquanto o petróleo Brent atingiu US$ 116,2 por barril e o WTI chegou a US$ 97,65. Nos Estados Unidos, o gás natural e a gasolina também tiveram alta de cerca de 4%, pressionando mercados e cadeias produtivas.
Ataques e retaliações
O episódio começou após Israel bombardear uma unidade de processamento de gás no Irã. Em retaliação, o Irã lançou ataques contra instalações de energia de países do Golfo, incluindo:
- Catar: a cidade industrial de Ras Laffan, maior hub mundial de GNL, sofreu danos extensos, mas não houve vítimas; incêndios foram controlados.
- Kuwait: duas refinarias estatais foram atingidas por drones, causando focos de incêndio.
- Arábia Saudita: portos e refinarias no Mar Vermelho sofreram ataques e danos a infraestrutura estratégica.
- Outros países do Golfo: instalações em Emirados Árabes Unidos também foram afetadas.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do transporte global de petróleo, teve o tráfego parcialmente afetado, aumentando a preocupação com possíveis choques de oferta.
Impacto nos mercados
Analistas alertam que a destruição de infraestruturas sensíveis e a interrupção parcial do fluxo de energia podem levar a uma escassez temporária de suprimento, com reflexos globais:
“Estamos passando de um problema de logística para potencialmente um problema de oferta. Se a capacidade de produção for afetada, os preços podem atingir níveis absolutamente explosivos”, destacou Dan Pickering, fundador da Pickering Energy Partners.
Nos mercados financeiros, bolsas ao redor do mundo recuaram com a escalada da tensão: Dow Jones futuro caiu 0,38%, S&P 500 recuou 0,45% e Nasdaq 100 perdeu 0,61%. Na Europa, FTSE 100, DAX e CAC 40 registraram quedas entre 1,7% e 2,4%, enquanto índices asiáticos também recuaram entre 1,4% e 3,4%.
Reação internacional
O governo do Catar classificou os ataques como uma “violação flagrante da soberania” e afirmou que se reserva o direito de responder conforme o direito internacional. Autoridades de 12 países árabes e islâmicos condenaram os ataques, pedindo interrupção imediata das ofensivas e respeito ao direito internacional.
O governo dos EUA negou envolvimento nos ataques e destacou que não havia conhecimento prévio da ação iraniana. Discussões sobre o envio de forças adicionais à região, incluindo possíveis operações em Kharg e proteção do tráfego no Estreito de Ormuz, estão em curso, segundo fontes da Reuters.

Cenário global
A escalada reforça o risco de interrupção prolongada no fornecimento de energia, com impactos diretos sobre o preço do gás, do petróleo e produtos derivados, além de pressões sobre a inflação e cadeias produtivas globais.
Especialistas alertam que a continuidade dos ataques pode transformar uma crise de logística em crise de oferta real, elevando ainda mais a volatilidade dos mercados energéticos mundiais.










