⚖️ Investigação apura possíveis regalias na cadeia de Mogi das Cruzes, visitas de políticos fora dos horários permitidos e movimentações consideradas suspeitas; dinheiro foi encontrado na casa do agente e durante buscas na unidade prisional
Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apreendeu cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar regalias ao ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), que está preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
A ação, realizada em 16 de outubro de 2026, busca esclarecer se o ex-parlamentar recebeu tratamento privilegiado durante a custódia e se houve participação de agentes públicos na concessão de possíveis benefícios indevidos.

💰 Dinheiro foi encontrado em dois locais
De acordo com informações divulgadas pelo g1, aproximadamente R$ 150 mil e US$ 10 mil foram encontrados na residência do carcereiro. Outros cerca de R$ 4 mil estavam nos bolsos do agente durante uma busca realizada na própria cadeia.
A apreensão ocorreu no contexto das diligências para apurar suspeitas de favorecimento indevido. Até o momento, porém, as informações divulgadas não comprovam que o dinheiro tenha origem criminosa ou que tenha sido utilizado para viabilizar regalias a Milton Leite.
🕵️ Denúncia anônima deu início às apurações
A investigação começou após uma denúncia anônima apontar que Milton Leite estaria recebendo visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários permitidos pelas regras da unidade prisional. Os encontros suspeitos teriam ocorrido inclusive à noite e nos fins de semana.
Segundo a apuração, o suposto favorecimento seria facilitado por um carcereiro. A operação busca verificar as condições de custódia, identificar eventuais irregularidades e reunir provas que permitam esclarecer como as visitas eram realizadas e se houve descumprimento de procedimentos oficiais.

🏛️ Políticos aparecem entre os visitantes citados
Entre os nomes mencionados na reportagem estão Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL). Eles teriam visitado Milton Leite sem autorização formal, conforme as informações publicadas.
Delegado Olim afirmou que sua visita teve caráter estritamente institucional e político, com o objetivo de tratar de assuntos relacionados à Federação União Progressista, da qual ele e Milton Leite exerceriam funções de liderança.
A menção dos políticos entre os visitantes não significa, por si só, que tenham cometido irregularidades ou participado de um eventual esquema de favorecimento. As circunstâncias e a regularidade dos encontros fazem parte do contexto investigado.

🎥 Imagens mostram movimentações na cadeia e na delegacia
A reportagem também menciona imagens de veículos chegando à unidade prisional nos dias 8 e 9 de outubro. Entre os registros estão uma caminhonete ligada a uma empresa da família de Milton Leite e a entrada de um carro de luxo na cadeia.
Outras imagens mostram uma viatura descaracterizada chegando ao 1º Distrito Policial, ao qual a cadeia é anexada. Dois homens e uma mulher que aparentava ser uma delegada teriam desembarcado do veículo.
Segundo as informações apuradas pela reportagem, um dos homens entrou na cadeia e retornou acompanhado de Milton Leite. O ex-parlamentar foi levado à delegacia pela entrada administrativa, de acesso restrito, permaneceu no local por quase uma hora e depois retornou à carceragem.
Pouco depois, a mulher deixou a delegacia na mesma viatura. Conforme o g1, os documentos consultados não esclarecem o motivo da retirada de Milton Leite da cadeia nem a finalidade do encontro na delegacia.
Esses registros são considerados elementos a serem examinados durante a investigação, mas não demonstram isoladamente a ocorrência de um crime.
⚖️ Gaeco apura suspeitas de corrupção
A operação, autorizada pela Justiça, incluiu buscas na residência do carcereiro, em celas da cadeia e no 1º Distrito Policial. As equipes procuraram celulares, imagens de câmeras de monitoramento e outros materiais que possam ajudar a esclarecer os fatos.
O Gaeco apura suspeitas de corrupção ativa e passiva. Na esfera administrativa, a Corregedoria da Polícia Civil poderá instaurar um procedimento para investigar eventual participação de policiais civis.
A unidade prisional é administrada pela Polícia Civil e funciona anexa ao 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes.

🔎 Milton Leite também é investigado por suspeitas de ligação entre o PCC e o transporte público
A apuração sobre possíveis regalias na cadeia ocorre enquanto Milton Leite permanece preso no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital paulista.
Segundo os investigadores, o ex-parlamentar teria participação direta na operação de empresas que estariam sob controle da organização criminosa, além de ser apontado como proprietário de fato da Transwolff. Essas alegações fazem parte da investigação e não devem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados.
Além de Milton Leite, estão entre os nomes relacionados à operação o ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans) Levi dos Santos Oliveira e o ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande Danilo Marco Morgado Silva (PL).
Em 14 de outubro, a Justiça de São Paulo prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária de Milton Leite e dos demais investigados, segundo informações atribuídas à Polícia Civil.
🗣️ Milton Leite nega as acusações
Desde sua prisão, Milton Leite afirma ser inocente. Ao falar com a imprensa, declarou confiar na Justiça e no trabalho das autoridades e disse que pretende provar que as acusações são infundadas.
A defesa do ex-parlamentar sustenta que ele não cometeu os crimes investigados. O caso segue sob apuração, tanto em relação às suspeitas envolvendo o transporte público quanto às possíveis irregularidades na unidade prisional.
Até que as investigações avancem, não há comprovação, nas informações divulgadas, de que o dinheiro apreendido tenha sido usado para pagar por regalias, nem de que os políticos citados tenham participado de um esquema criminoso.










