👵 Dados do TSE mostram envelhecimento do eleitorado da região em oito anos, enquanto participação dos jovens de 18 a 24 anos caiu 18,7%
O número de eleitores com 70 anos ou mais aumentou 46,8% no Alto Tietê nos últimos oito anos. O levantamento, baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), compara a composição do eleitorado da região nas eleições gerais de 2018, 2022 e 2026.
Em 2018, o Alto Tietê tinha cerca de 70 mil eleitores nessa faixa etária. Em 2026, o número ultrapassou 108 mil. A comparação utiliza os dados exatos do cadastro eleitoral para calcular o percentual, enquanto os valores apresentados em números absolutos são arredondados.
O crescimento faz parte de uma mudança mais ampla no perfil etário do eleitorado regional. Entre 2022 e 2026, o número de eleitores com 45 anos ou mais passou de 470.614 para 580.508, aumento de aproximadamente 23%.
Segundo o cientista político Caio Barbosa, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), mudanças na composição etária do eleitorado podem alterar a distribuição de interesses que candidatos e partidos precisam considerar. Entre os temas que podem ganhar maior atenção estão aposentadoria, saúde, acesso a medicamentos, segurança, custo de vida e estabilidade econômica.
Barbosa também ressalta que o envelhecimento do eleitorado não significa que pessoas mais velhas tenham comportamento político uniforme. Além disso, como o voto é facultativo a partir dos 70 anos, o aumento desse grupo no cadastro eleitoral não representa necessariamente maior comparecimento às urnas.
👴 Voto facultativo
No Brasil, o voto é facultativo para pessoas com mais de 70 anos. A faixa etária, portanto, pode apresentar diferenças entre o número de eleitores cadastrados e a quantidade de pessoas que efetivamente comparecem às urnas.
A mudança no perfil também é observada entre os eleitores mais jovens. De 2018 a 2026, o número de pessoas de 18 a 24 anos aptas a votar na região caiu 18,7%.
Em 2018, essa faixa correspondia a aproximadamente 15% do eleitorado do Alto Tietê. Em 2026, passou a representar 11,68%.
📊 Envelhecimento do eleitorado
Para Barbosa, a redução proporcional da presença dos mais jovens e o crescimento das faixas etárias mais velhas podem criar novos desafios de representação política. Entre as questões que afetam especialmente as gerações mais novas estão educação, mercado de trabalho, habitação, tecnologia e meio ambiente.
O especialista, porém, ressalta que não existe uma relação automática entre idade e comportamento político. Eleitores de diferentes gerações podem ter prioridades e posicionamentos distintos, e o crescimento de uma determinada faixa etária no cadastro não permite determinar suas preferências eleitorais.
A mudança demográfica também é percebida pelos próprios eleitores. Pessoas com mais de 70 anos ouvidas na reportagem afirmaram que continuam participando das eleições mesmo com a dispensa da obrigatoriedade, enquanto eleitores mais jovens destacaram a importância de manter pautas relacionadas às novas gerações no debate público.










