O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu neste sábado (7) governantes da América Latina e do Caribe em seu clube de golfe em Doral, na Flórida, para a cúpula denominada “Escudo das Américas”, encontro voltado ao combate ao crime organizado, à imigração ilegal e à influência de potências estrangeiras no continente.
Durante a abertura da reunião, Trump afirmou que os países presentes estão unidos na convicção de que não podem mais tolerar “ilegalidade em nosso hemisfério”, defendendo maior cooperação regional para enfrentar gangues transnacionais e redes de narcotráfico.
O encontro ocorre no contexto do que o republicano chama de “Doutrina Donroe”, uma referência à histórica Doutrina Monroe. A proposta busca reforçar a influência de Washington no hemisfério ocidental, aumentar a segurança regional e conter a presença de potências externas, especialmente a China.
Segundo o governo americano, ações recentes seriam exemplos dessa estratégia, como a operação que levou à captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, em Caracas, além de medidas de pressão econômica contra regimes aliados de adversários dos Estados Unidos.
Participação de aliados regionais
A cúpula reuniu principalmente líderes conservadores da região. Entre os presentes ou convidados estavam o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e o presidente do Equador, Daniel Noboa.
Também foram convidados governantes da Bolívia, Costa Rica, República Dominicana, Honduras, Panamá, Paraguai, Guiana e Trinidad e Tobago, além do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
A pauta central inclui o combate ao avanço do crime organizado na região, fenômeno que, segundo especialistas, tem se expandido inclusive para países que antes registravam baixos índices de violência.
Ausência de países-chave
Apesar da amplitude do encontro, especialistas apontam limitações na iniciativa. Dois dos principais atores regionais no combate ao narcotráfico — Brasil e México — não participaram da reunião.
Analistas observam que organizações criminosas brasileiras controlam portos importantes usados no tráfico internacional de drogas, enquanto cartéis mexicanos dominam grande parte da cadeia global do narcotráfico. Sem a participação desses países, avaliam, uma estratégia regional pode ter alcance limitado.
Tensão internacional
No mesmo dia da reunião, Trump também voltou a elevar o tom contra o Irã em publicação nas redes sociais, afirmando que o país poderia ser “atingido com muita força” e ameaçando ampliar ofensivas militares.
A declaração ocorre após o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmar que o Irã não se renderia aos Estados Unidos e a Israel, embora tenha indicado que o país não pretende atacar nações vizinhas do Golfo, salvo em caso de agressões partindo de seus territórios.










