Risco-país da Argentina rompe barreira dos 500 pontos e atinge menor nível desde 2018 - NACASHOVI NEWS

Risco-país da Argentina rompe barreira dos 500 pontos e atinge menor nível desde 2018

BUENOS AIRES – Pela primeira vez em quase oito anos, o risco-país da Argentina, medido pelo índice EMBI+ do JPMorgan, caiu para abaixo dos 500 pontos-base. Nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, o indicador atingiu 493 pontos, consolidando uma trajetória de queda acentuada que reflete o otimismo do mercado financeiro com as reformas estruturais do governo de Javier Milei.

Por que o índice caiu tanto?

Analistas apontam uma combinação de fatores técnicos e políticos para esse desempenho:

  • Ajuste Fiscal Rigoroso: A manutenção do superávit fiscal e a política de “emissão zero” fortaleceram a percepção de solvência do país.
  • Acúmulo de Reservas: O Banco Central da República Argentina (BCRA) iniciou o ano com compras diárias de dólares, reforçando as reservas internacionais.
  • Vitória Legislativa: O bom desempenho do partido governista nas eleições de meio de mandato (outubro de 2025) deu ao governo a governabilidade necessária para avançar com privatizações e desregulamentações.
  • Inflação em Queda: O país encerrou 2025 com uma inflação anual de aproximadamente 31,5%, o menor patamar em anos, após ter beirado a hiperinflação no início do mandato de Milei.

O que isso significa na prática?

A queda para o patamar de 500 pontos é um “divisor de águas” simbólico e prático:

  1. Retorno aos Mercados Internacionais: Com taxas mais baixas, a Argentina prepara o terreno para voltar a emitir dívida no exterior pela primeira vez desde 2018.
  2. Redução de Custos para Empresas: Grandes empresas argentinas (como YPF e Pampa Energía) já começaram a captar recursos no exterior com juros muito menores.
  3. Valorização de Ativos: A Bolsa de Buenos Aires e os títulos públicos argentinos registraram altas expressivas, superando a média de outros países emergentes.

“Atingir este patamar coloca a Argentina em um grupo de risco semelhante ao do Equador e sinaliza que o mercado parou de precificar um calote iminente”, destacam analistas da corretora Cohen.


Comparativo Histórico

PeríodoRisco-País (Pontos-base)
Janeiro de 2026493
Janeiro de 2025~1.100
Posse de Milei (Dez/2023)~1.900
Crise de 2020> 4.000

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