ASSUNÇÃO – O cenário de segurança na América do Sul passa por uma mudança significativa neste início de 2026. Após a assinatura do Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA) em dezembro passado, o Paraguai deu início a uma fase de modernização militar sem precedentes, marcada pela chegada de tropas norte-americanas e a aquisição de tecnologia bélica de ponta.
Desembarque e Treinamento
No último dia 9 de janeiro, uma aeronave C-17 da Força Aérea dos Estados Unidos pousou no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi com um carregamento de armas, munições e instrutores militares. O contingente, composto por membros de forças especiais, tem como missão treinar o Batalhão Conjunto de Forças Especiais do Paraguai.
O acordo, ratificado pelo Senado paraguaio, permite a permanência e circulação de militares e civis do Departamento de Defesa dos EUA em solo nacional até, pelo menos, julho de 2026.

O “Punho de Ferro” contra o Crime Organizado
A peça central da nova estratégia paraguaia é o combate às facções transnacionais, como o PCC, e ao financiamento do terrorismo na Tríplice Fronteira. Para isso, o governo de Santiago Peña confirmou:
- Veículos Blindados: A integração de cerca de 150 veículos blindados fornecidos pelos EUA para patrulhamento de fronteira.
- Inteligência: A instalação de centros de monitoramento conjuntos que utilizam tecnologia de vigilância americana para coibir o narcotráfico.
Reações na Região
Embora o governo paraguaio reitere que o acordo não prevê a criação de bases militares permanentes e que a soberania nacional está preservada, a movimentação gera reações distintas.
Analistas apontam que a presença direta dos EUA “no quintal do Brasil” é vista com cautela por Brasília, que historicamente lidera as iniciativas de segurança no Cone Sul. Por outro lado, especialistas em segurança pública acreditam que a pressão militar pode ajudar a sufocar as rotas de tráfico que alimentam a violência nas capitais brasileiras.

Geopolítica: A Doutrina Monroe no Século XXI
A aproximação faz parte da nova Estratégia de Segurança Nacional de Washington, que reorientou suas prioridades para a América Latina em 2025. O objetivo é claro: conter o avanço da influência chinesa em setores estratégicos e garantir a estabilidade das rotas comerciais e de commodities na bacia do Rio da Prata.










