Uberlândia (MG) – O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra a TV Globo, alegando que a emissora adota de forma sistemática a pronúncia incorreta da palavra “recorde” em seus telejornais e programas.
A ação foi protocolada pelo procurador da República Cléber Eustáquio Neves, que sustenta que a forma correta, segundo o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), é re-COR-de (paroxítona), enquanto a Globo teria pronunciado repetidamente ré-COR-de (proparoxítona).
Principais pedidos do MPF
- Multa de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, considerando o alcance nacional da emissora.
- Retratação em rede nacional, explicando a forma correta da palavra.
- Correção imediata da pronúncia, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.
O MPF argumenta que, como concessão pública, a Globo possui dever constitucional de promover a norma culta da língua portuguesa e zelar por efeitos educativos de sua programação.

Contexto e curiosidade linguística
Segundo a petição, a adoção da pronúncia ré-COR-de teria se popularizado possivelmente por influência do inglês (“record”) ou para evitar associação sonora com a emissora concorrente TV Record, embora esse último ponto seja mais uma observação de analistas do que uma alegação formal da ação.
No português, a palavra é corretamente paroxítona: a sílaba tônica recai sobre COR. A forma proparoxítona ré-COR-de é considerada incorreta pelos padrões do VOLP.
A Globo foi notificada em fevereiro de 2026 e, até o momento, informou que não comenta processos judiciais em andamento.








