Mercosul e União Europeia selam acordo histórico e inauguram nova fase do bloco em 2026 - NACASHOVI NEWS

Mercosul e União Europeia selam acordo histórico e inauguram nova fase do bloco em 2026

ASSUNÇÃO – O Mercosul deu neste sábado, 17 de janeiro de 2026, o passo mais decisivo de sua trajetória ao assinar oficialmente o acordo de livre-comércio com a União Europeia, encerrando um processo de negociações que se arrastava havia quase 26 anos. A cerimônia ocorreu no Paraguai e reuniu autoridades dos dois blocos, marcando um dos maiores avanços diplomáticos e econômicos da história recente da América do Sul.

Com o tratado, o Mercosul passa a integrar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo um mercado potencial de cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado estimado em US$ 22 trilhões. A assinatura acontece em um momento estratégico, em meio à reconfiguração das cadeias globais de comércio e ao aumento das tensões geopolíticas internacionais.

O que muda a partir de agora

O acordo estabelece uma redução gradual de tarifas, que deverá atingir até 91% dos bens europeus ao longo de 15 anos, além de ampliar o acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu. A expectativa é de impactos profundos em três frentes principais:

Indústria e competitividade
A entrada de máquinas, insumos e tecnologias europeias com tarifas reduzidas deve acelerar a modernização industrial do Mercosul. Por outro lado, entidades do setor produtivo alertam para o desafio de competir com empresas europeias altamente tecnológicas.

Agronegócio fortalecido
O tratado amplia cotas para exportações de carne, açúcar, aves e outros produtos agrícolas. Em contrapartida, impõe regras ambientais mais rígidas: mercadorias associadas ao desmatamento ilegal ou a práticas ambientais irregulares poderão perder os benefícios comerciais.

Serviços e mobilidade profissional
Uma das novidades do acordo é a ampliação da integração no setor de serviços, abrindo caminho para maior reconhecimento de diplomas, facilitação de investimentos e redução da burocracia para a atuação de profissionais entre os países membros.

Desafios políticos e próximos passos

Apesar do simbolismo da assinatura, o acordo ainda não entra em vigor imediatamente. O texto precisará ser ratificado pelos parlamentos dos países do Mercosul e pelo Parlamento Europeu, um processo que pode levar meses ou até anos e que envolve resistências internas, especialmente em países europeus com forte pressão de setores agrícolas.

Internamente, o Mercosul também enfrenta o desafio de manter coesão política entre governos de orientações distintas, como Brasil e Argentina. A aposta dos líderes do bloco é que o acordo com a UE funcione como uma “âncora de estabilidade” econômica e institucional.

Durante encontros prévios à assinatura, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o objetivo do acordo é romper com a dependência exclusiva de commodities. “Queremos produzir, inovar e exportar bens de maior valor agregado”, declarou.

Com o tratado assinado e a adesão plena da Bolívia em andamento, o Mercosul inicia 2026 reposicionando-se como um ator relevante no comércio global, diante de um cenário internacional cada vez mais competitivo e fragmentado.

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