SÃO PAULO – Conversas privadas obtidas pela Polícia Federal no celular do empresário Daniel Vorcaro revelam críticas duras ao funcionamento do sistema financeiro brasileiro. Em uma troca de mensagens com sua então namorada, o banqueiro comparou o setor bancário a uma organização criminosa.
Nos diálogos, enviados em abril de 2025, Vorcaro afirmou que o ambiente no mercado financeiro seria semelhante ao de uma “máfia”, sugerindo que é difícil abandonar o setor sem sofrer consequências.
“Esse negócio de banco sempre falei que é igual máfia. Não dá pra sair. Ninguém sai. Bem não sai. Só sai mal”, escreveu o empresário na conversa.
As mensagens fazem parte de material obtido após quebra de sigilo nas investigações que envolvem o Banco Master. O conteúdo foi compartilhado com a comissão parlamentar que apura suspeitas de irregularidades ligadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Contexto da negociação com o BRB
Na época das conversas, Vorcaro tentava viabilizar a venda da instituição financeira para o BRB. A operação, no entanto, dependia de autorização do Banco Central do Brasil e acabou não sendo concretizada.
Nas mensagens, o empresário descreve o período como um momento de forte pressão e incerteza. Ele relata reuniões com autoridades e diz enfrentar uma espécie de “guerra” nos bastidores do mercado financeiro.
Em determinado trecho da conversa, Vorcaro também menciona o banqueiro André Esteves, sugerindo que adversários no setor teriam atuado para dificultar a aprovação da venda do banco.
Investigação e repercussão
O material analisado pelas autoridades integra investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e suas operações financeiras. As conversas ajudam a traçar o cenário de tensão enfrentado pelo empresário durante o período em que tentava concluir a negociação do banco.
As declarações geraram repercussão no mercado financeiro, principalmente pela comparação feita por Vorcaro entre o funcionamento do setor bancário e organizações criminosas.
Até o momento, a defesa do empresário tem questionado a divulgação das mensagens, alegando que os trechos podem estar sendo apresentados fora de contexto.










