BRASÍLIA — Mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, passaram a integrar o material analisado por investigadores da Polícia Federal e por parlamentares da comissão que acompanha o caso. O conteúdo, obtido durante a Operação Compliance Zero, indica que o empresário mencionou encontros e contatos com diversas autoridades nos últimos anos.
As conversas, trocadas com sua então namorada Martha Graeff, sugerem reuniões ou proximidade com nomes relevantes da política e do Judiciário. Entre os citados nas mensagens estão o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, o senador Ciro Nogueira e o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta.
Em um dos diálogos, Vorcaro relata que estaria recebendo em sua casa “Hugo e Ciro” para conversar com “Alexandre”. As mensagens, porém, não incluem sobrenomes, e investigadores analisam o contexto para identificar a quem exatamente o banqueiro se referia. Até o momento, não há confirmação independente de que tais encontros tenham ocorrido.
Outros trechos também mencionam possíveis interações com o ministro do STF. Em uma conversa datada de abril de 2025, Vorcaro afirma que iria se encontrar com “Alexandre Moraes” durante um feriado. Em outro diálogo, após uma chamada de vídeo com a namorada, ele responde a uma pergunta sobre quem apareceu na tela dizendo apenas: “Alexandre Moraes”.

O material também aponta referências a autoridades do Executivo. Em mensagens de 2024, Vorcaro afirma ter tido uma conversa considerada por ele “ótima” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião que teria ocorrido no Palácio do Planalto. Segundo reportagens já divulgadas anteriormente, o encontro teria contado com a presença do então ministro da Economia Guido Mantega, além de integrantes do governo.
As conversas também mencionam o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, citado no contexto de discussões sobre o sistema financeiro e o cenário do setor bancário no país.
Segundo os investigadores, as mensagens foram interceptadas durante a análise do celular do banqueiro e acabaram incorporadas às apurações que investigam suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. Parte do material também foi encaminhada a parlamentares que acompanham as investigações no Congresso.
Autoridades mencionadas nas conversas afirmaram, por meio de notas ou declarações anteriores, que não mantiveram relação irregular com o empresário e que eventuais encontros institucionais ocorreram dentro da normalidade. No caso do ministro Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal já afirmou que algumas das alegações divulgadas a partir das mensagens são interpretações ou ilações sem comprovação.
O caso segue em análise pela Polícia Federal e por órgãos de controle, enquanto parlamentares discutem novos desdobramentos das investigações relacionadas às atividades do Banco Master e à atuação de seu antigo controlador.











