PONTA DELGADA – Uma operação conjunta da Marinha Portuguesa, da Polícia Judiciária (PJ) e da Força Aérea resultou, em janeiro de 2026, na maior apreensão de cocaína já registrada em Portugal. As autoridades interceptaram, em pleno Oceano Atlântico, um semissubmersível utilizado pelo narcotráfico internacional para transportar drogas da América Latina para a Europa.
A embarcação, conhecida como “narcossubmarino”, foi localizada a cerca de 230 milhas náuticas ao sul do arquipélago dos Açores. Durante a abordagem, realizada sob condições meteorológicas adversas, o semissubmersível acabou por afundar, mas a maior parte da carga ilícita foi recuperada.

Detalhes da operação
No interior da embarcação foram identificados aproximadamente 300 fardos de cocaína, totalizando cerca de 9 toneladas da droga. Segundo estimativas das autoridades, o carregamento poderia atingir um valor próximo de 600 milhões de euros no mercado europeu.
Quatro tripulantes foram detidos em flagrante — três cidadãos colombianos e um venezuelano — e encaminhados para investigação criminal em território português. Parte da carga, cerca de 35 fardos, afundou junto com o semissubmersível.
A ação contou com cooperação internacional, envolvendo o MAOC-N (Centro de Análise e Operações Marítimas – Narcóticos), a DEA dos Estados Unidos e a NCA do Reino Unido, reforçando o caráter transnacional da investigação.

Rota estratégica do tráfico
De acordo com a Polícia Judiciária, o uso de semissubmersíveis artesanais tem se tornado cada vez mais frequente entre organizações criminosas, como forma de driblar radares e sistemas tradicionais de vigilância marítima. A operação reforça o papel estratégico dos Açores como ponto-chave no combate às rotas de tráfico transatlântico com destino à Europa.
Autoridades classificaram a apreensão como um marco histórico no enfrentamento ao narcotráfico internacional e destacaram a importância da cooperação entre países para o sucesso da operação.










