BRASÍLIA – Em um movimento que aprofunda o desgaste diplomático entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, neste domingo (18), um artigo de opinião no jornal The New York Times criticando duramente a operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro. No texto intitulado “Este hemisfério pertence a todos nós”, Lula elevou a classificação do episódio de “captura” para “sequestro”, acusando o governo de Donald Trump de violar o Direito Internacional.
Afronta à Soberania Regional
Para o presidente brasileiro, a incursão de tropas de elite americanas em Caracas, ocorrida no último dia 3 de janeiro, estabelece um “precedente perigosíssimo”. Lula argumenta que, embora a legitimidade do regime de Maduro fosse contestada, a remoção forçada de um chefe de Estado por uma potência estrangeira fere o princípio da autodeterminação dos povos.
“Não é legítimo que outro Estado tome para si o direito de fazer justiça por conta própria”, escreveu Lula, defendendo que o uso recorrente da força enfraquece a autoridade da ONU e do Conselho de Segurança.
Polarização Interna e Opinião Pública
A postura do governo brasileiro, no entanto, caminha em sentido contrário à opinião pública doméstica. Pesquisas recentes indicam que cerca de 58% dos brasileiros aprovam a ação militar dos EUA, motivados principalmente pelas acusações de narcotráfico contra Maduro e pela crise humanitária que impulsionou a migração para o Brasil.
Enquanto a oposição e governadores de direita celebraram o que chamam de “libertação da Venezuela”, o Itamaraty mantém o foco na instabilidade regional. Diplomatas brasileiros temem que o vácuo de poder e a presença de tropas estrangeiras possam desencadear conflitos civis prolongados na fronteira norte.

Próximos Passos
O Brasil agora lidera um esforço na Organização dos Estados Americanos (OEA) para exigir garantias sobre a integridade física de Maduro, que aguarda julgamento em Nova York. Ao mesmo tempo, Lula tenta equilibrar as críticas com a manutenção de canais de diálogo com Washington para evitar retaliações comerciais.










