Reportagens de veículos como O Globo, Metrópoles e Revista Oeste revelaram que o escritório Lewandowski Advocacia manteve um contrato de consultoria com o Banco Master, que previa pagamentos mensais de R$ 250 mil. O acordo foi firmado em agosto de 2023 e permaneceu vigente até setembro de 2025.
Segundo as apurações, o valor total repassado pelo banco ao escritório ao longo do período chegou a aproximadamente R$ 6,5 milhões. Parte expressiva desses pagamentos — estimada em cerca de R$ 5 milhões — ocorreu enquanto Ricardo Lewandowski já ocupava o cargo de ministro da Justiça, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Indicação e contexto do contrato
Informações divulgadas por colunistas e reportagens apontam que a contratação do escritório teria ocorrido após sugestão do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. À época, Lewandowski havia se aposentado do Supremo Tribunal Federal e retornado à advocacia.
Posicionamento do ex-ministro
Em nota, a assessoria de Ricardo Lewandowski afirmou que ele se desligou formalmente do escritório e suspendeu sua inscrição na OAB ao assumir o Ministério da Justiça, em fevereiro de 2024, justamente para evitar qualquer conflito de interesses. Segundo a defesa, o contrato com o Banco Master continuou a ser executado exclusivamente pelos filhos do ex-ministro, que permanecem como sócios da banca, com atuação restrita a temas institucionais e tributários.

Desdobramentos políticos e investigações
Analistas avaliam que a divulgação do contrato contribuiu para o desgaste político que antecedeu a saída de Lewandowski do Ministério da Justiça, formalizada em janeiro de 2026. Paralelamente, o Banco Master é alvo de investigações da Polícia Federal que apuram supostas fraudes financeiras de grande escala. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso preventivamente no final de 2025 e atualmente cumpre prisão domiciliar.
Até o momento, não há decisão judicial que aponte ilegalidade direta na atuação de Lewandowski, mas o caso segue repercutindo no meio político e jurídico, levantando debates sobre ética, governança e conflitos de interesse no setor público.










