SÃO PAULO – As investigações que apuram a atuação do crime organizado no sistema de transporte público da capital paulista avançaram e passaram a envolver o nome do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil). Um depoimento prestado por um policial militar preso no âmbito da apuração cita o político como possível beneficiário oculto da empresa de ônibus Transwolff, atualmente sob intervenção do poder público.
O relato foi feito à Corregedoria da Polícia Militar por um sargento investigado por suspeita de integrar um esquema de proteção a empresários e integrantes do crime organizado. Segundo ele, os dirigentes formais da Transwolff atuariam como intermediários, enquanto o controle real da empresa estaria nas mãos de agentes políticos influentes, entre eles Milton Leite.
Empresa no centro das investigações
A Transwolff foi retirada do sistema de transporte de São Paulo após investigações apontarem possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e uso da empresa para movimentações financeiras ilícitas. As linhas antes operadas pela companhia passaram a ser administradas por outra concessionária, enquanto o caso segue sob apuração do Ministério Público e de forças policiais.
Relações comerciais sob escrutínio
Documentos analisados pelos investigadores indicam que empresas ligadas à família de Milton Leite, como a construtora Neumax, mantiveram contratos com a Transwolff, incluindo o aluguel de imóveis e fornecimento de serviços. Esses vínculos financeiros, embora legais em tese, passaram a ser questionados pelos órgãos de controle diante do contexto da investigação mais ampla.
Além disso, mensagens e registros apreendidos em fases anteriores do inquérito apontam para uma relação considerada “próxima” entre dirigentes da empresa de ônibus e figuras ligadas ao gabinete do ex-vereador, o que motivou o aprofundamento das apurações.

Investigação sobre escolta e uso de policiais
Outro eixo da investigação apura se policiais militares teriam sido utilizados de forma irregular para prestar segurança privada a dirigentes da Transwolff. Um capitão da PM, que atuava na Assessoria Militar da Câmara Municipal durante a gestão de Milton Leite, também é investigado por suspeita de envolvimento nesse esquema.
Defesa nega irregularidades
Em nota, Milton Leite negou qualquer envolvimento com atividades criminosas e afirmou que nunca foi sócio ou proprietário da Transwolff. O ex-vereador sustenta que suas relações com a empresa sempre foram institucionais ou comerciais, dentro da legalidade, e classificou as acusações como infundadas.
A Transwolff também nega ligação com o crime organizado e afirma colaborar com as investigações para esclarecer os fatos.
Próximos passos
As autoridades seguem colhendo depoimentos, analisando contratos e rastreando fluxos financeiros para determinar se houve participação direta de agentes públicos no esquema investigado. Até o momento, não há denúncia formal nem condenação, e o caso segue em fase de apuração.










