BRASÍLIA – Um confronto direto entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e a cúpula da Polícia Federal (PF) expôs tensões institucionais no andamento das investigações que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro e o grupo financeiro Master. O embate ocorreu após atraso na deflagração da segunda fase da operação, determinada pelo ministro.
O episódio teve início na segunda-feira (12), quando Toffoli assinou decisão ordenando o cumprimento de mandados de busca, apreensão e prisão no prazo máximo de 24 horas. A operação, no entanto, só foi executada pela Polícia Federal dois dias depois, na quarta-feira (14), o que motivou críticas públicas do ministro.
Cobrança e críticas do STF
Em despacho anexado ao processo, Toffoli afirmou que a demora “causa espécie” e classificou o atraso como uma “inobservância expressa e deliberada” da ordem judicial. O ministro sustentou que a postergação poderia ter permitido a destruição de provas relevantes para a investigação.
Diante disso, Toffoli determinou que todo o material apreendido — incluindo celulares, documentos e bens de alto valor — fosse lacrado e enviado diretamente ao Supremo Tribunal Federal, retirando da Polícia Federal a custódia inicial das provas.
Resposta da Polícia Federal
A reação da PF veio por meio de manifestação formal do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Segundo ele, o prazo imposto pelo ministro era operacionalmente inviável e colocaria em risco a eficácia da operação.
A Polícia Federal alegou que precisou de tempo adicional para atualizar endereços dos alvos, planejar deslocamentos simultâneos e adotar medidas técnicas para evitar bloqueios remotos de aparelhos eletrônicos ou a autodestruição de dados armazenados em celulares e computadores.

Recuo parcial e tensão política
Após a repercussão negativa e alertas de especialistas de que o lacre imediato das provas no STF poderia atrasar a perícia técnica, Toffoli recuou parcialmente. O ministro autorizou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) realize a extração e análise dos dados apreendidos, embora tenha mantido críticas à atuação da Polícia Federal.
O embate institucional repercutiu rapidamente no Congresso Nacional. Parlamentares da oposição protocolaram um pedido de impeachment contra Toffoli, alegando possível conflito de interesses e parcialidade na condução do caso. Integrantes do governo classificam o episódio como parte de uma investigação que pode se tornar uma das maiores fraudes bancárias já apuradas no país.
📅 Cronologia do conflito – Janeiro de 2026
- 12/01 – Toffoli determina a deflagração da operação em até 24 horas
- 14/01 – Polícia Federal executa a operação; ministro critica atraso e ordena lacre das provas no STF
- 15/01 – PF responde oficialmente, alegando inviabilidade operacional do prazo
- 16/01 – Toffoli autoriza acesso da PGR aos dados; oposição protocola pedido de impeachment










