Contrato prevê cessão gratuita de três veículos avaliados em quase R$ 880 mil; parceria volta a gerar debate sobre conflitos de interesse.
BRASÍLIA – A Câmara dos Deputados firmou um novo acordo com a montadora chinesa BYD para o uso de veículos elétricos e híbridos durante o ano de 2026. O contrato, publicado no Diário Oficial da União na quarta-feira (28), estabelece a cessão de três automóveis em regime de comodato, ou seja, sem custo direto para os cofres públicos.
De acordo com o documento, os veículos ficarão à disposição da estrutura institucional da Casa, incluindo a Presidência, e também contam com carregadores elétricos cedidos pela montadora.
Veículos cedidos
A frota emprestada pela BYD é avaliada em R$ 878.780 e inclui:
- 1 BYD Tan blindado (ano 2024/2025), SUV elétrico de sete lugares, avaliado em R$ 538.800;
- 2 BYD King GL (ano 2025/2026), sedãs híbridos plug-in, avaliados em R$ 169.990 cada.

Parceria e controvérsia
O uso de veículos da BYD por órgãos públicos não é novidade. Instituições como o Palácio do Planalto, o STJ e o TCU já firmaram acordos semelhantes com a montadora, que afirma ter como objetivo incentivar a transição energética e divulgar a tecnologia de veículos eletrificados no país.
Apesar disso, a renovação do comodato voltou a gerar críticas entre parlamentares e especialistas. A principal preocupação envolve um possível conflito de interesses, já que a BYD é beneficiária de incentivos fiscais federais e há diversos projetos de lei em tramitação no Congresso que tratam da regulamentação do setor de veículos elétricos e híbridos.
Outro ponto levantado é o contexto do aumento gradual do imposto de importação para carros elétricos, cuja alíquota deve chegar a 35% até julho de 2026, o que pode impactar diretamente o mercado automotivo.
Posicionamento
Até o momento, nem a Presidência da Câmara nem a BYD detalharam como os veículos serão utilizados no dia a dia, limitando-se a informar que o uso será estritamente institucional.










