BRASÍLIA – O Brasil encerrou o ano de 2025 com um marco sombrio na luta pelos direitos humanos. Segundo dados inéditos divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o país registrou 4.515 denúncias de trabalho análogo à escravidão no último ano — o maior número da série histórica desde a criação do sistema de denúncias Disque 100, em 2011.
O volume representa uma alta de 14% em relação a 2024, que já havia estabelecido um recorde anterior com quase 4 mil relatos. Este é o quinto ano consecutivo de crescimento nas notificações, consolidando uma tendência de aumento na visibilidade do crime e na coragem das vítimas e testemunhas em denunciar.
O Perfil da Escravidão Contemporânea
Embora o agronegócio continue sendo um foco crítico, os dados de 2024 e 2025 revelam uma mudança importante: cerca de 30% das vítimas foram encontradas em áreas urbanas. Os setores que mais concentraram resgates foram:
- Construção Civil: Lidera o ranking com o maior número de trabalhadores libertados.
- Cultivo de Café e Cebola: Seguem como as atividades agrícolas mais autuadas.
- Serviço Doméstico: Um setor que vem ganhando atenção pela dificuldade de fiscalização dentro das residências.
Um dos casos de maior repercussão no último período foi o resgate de mais de 160 operários em obras de infraestrutura na Bahia, evidenciando que grandes empreendimentos também estão sob a lupa dos auditores fiscais.
30 Anos de Fiscalização Móvel

O recorde coincide com o aniversário de 30 anos do reconhecimento oficial do trabalho escravo pelo Estado brasileiro (1995-2025). Nesse período, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel já resgatou mais de 65.600 pessoas.
“O aumento das denúncias não significa necessariamente que há mais escravidão do que no passado, mas que o Estado está chegando onde antes não chegava e a sociedade não aceita mais esse tipo de violação”, afirmou um representante do MTE durante a divulgação do balanço.
Geografia do Crime
Os estados com maior incidência de denúncias e operações continuam sendo:
- São Paulo (Líder em denúncias urbanas)
- Minas Gerais (Líder em número absoluto de resgatados)
- Bahia e Goiás (Destaque para o setor agropecuário)
As vítimas resgatadas em 2025 receberam, juntas, mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias e trabalhistas devidas, além de assistência psicossocial e inclusão em programas de seguro-desemprego especial.

Como denunciar: Qualquer suspeita de trabalho escravo pode ser reportada de forma anônima pelo Disque 100 ou pelo Sistema Ipê, a plataforma oficial da Inspeção do Trabalho.










