Operação prende policiais civis e doleiros suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro em SP - NACASHOVI NEWS

Operação prende policiais civis e doleiros suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro em SP

Uma operação do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Polícia Federal e da Polícia Civil do Estado de São Paulo, prendeu nove pessoas nesta quinta-feira (5) suspeitas de integrar um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da corporação.

Entre os detidos estão quatro policiais civis: os investigadores Roldnei Eduardo dos Reis Baptista, da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, e Rogério Coichev Teixeira, do Serviço Aerotático; o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz; e o delegado João Eduardo da Silva, ambos da Delegacia do Jabaquara.

Também foram presos a doleira Meire Poza, que já havia sido investigada na Operação Lava Jato, além dos advogados Antônio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antônio Fontana, e dos investigados Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza.

Segundo o Ministério Público, o grupo teria transformado delegacias especializadas em centros de negociação para garantir a impunidade de criminosos. A Justiça autorizou prisões preventivas, 23 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens dos investigados.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, policiais pediam relatórios de inteligência financeira (RIFs) para identificar alvos com grande movimentação financeira. Depois, os investigados eram intimados e passavam a sofrer pressão para pagar propina em troca do arquivamento ou paralisação de investigações.

As apurações apontam que valores exigidos podiam chegar a R$ 5 milhões em alguns casos e até R$ 33 milhões para encerrar determinadas apurações.

Também foram identificadas fraudes processuais, como a substituição de discos rígidos (HDs) apreendidos por dispositivos vazios para eliminar provas.

Doleiros e lavagem de dinheiro

Os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza são apontados como operadores financeiros do grupo. Segundo o Ministério Público, eles utilizavam empresas de fachada, contratos comerciais falsos e operações simuladas de importação para lavar dinheiro.

Uma das estratégias identificadas foi a conversão de dinheiro em espécie em créditos de vales-refeição, usando estabelecimentos comerciais fictícios.

Contra Meirelles há um mandado de prisão em aberto, e ele ainda não foi localizado pelas autoridades.

Corrupção em departamentos estratégicos

O esquema teria atingido setores considerados estratégicos da Polícia Civil, como o Departamento de Investigações Criminais (Deic) e o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).

Segundo a decisão judicial, houve pagamentos de propina em locais como o hangar do Serviço Aerotático da Polícia Civil, no Campo de Marte, e extorsões ligadas a investigações conduzidas no 16º Distrito Policial, na Vila Clementino.

Origem da investigação

A operação é um desdobramento da Operação Recidere, iniciada em 2023 para investigar um esquema bilionário de envio de dinheiro ilegal ao exterior.

Na época, investigadores identificaram movimentações de cerca de R$ 4 bilhões em dois anos por meio de contas ligadas a empresas de fachada e laranjas.

A análise de celulares apreendidos levou à descoberta de um suposto esquema de corrupção envolvendo policiais civis que recebiam propina para obstruir investigações ou pressionar investigados a pagar para encerrar inquéritos.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta e que adotará todas as medidas legais caso as irregularidades sejam confirmadas.

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