Relatório do Congresso dos EUA cita estação no Brasil como parte de rede espacial chinesa com potencial uso militar - NACASHOVI NEWS

Relatório do Congresso dos EUA cita estação no Brasil como parte de rede espacial chinesa com potencial uso militar

Um relatório divulgado pelo Comitê Seleto da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre o Partido Comunista Chinês afirma que a China opera ou possui acesso a uma rede de instalações espaciais na América Latina com potencial de uso militar. Entre elas, o documento menciona uma estrutura no Brasil chamada “Tucano Ground Station”.

Segundo o relatório, ao menos 11 instalações associadas à China estariam distribuídas por países como Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e Brasil. Embora sejam oficialmente apresentadas como projetos civis ou científicos, os congressistas americanos avaliam que essas estruturas possuem capacidade de uso dual — ou seja, poderiam servir tanto a finalidades comerciais quanto a objetivos militares.

Parceria sino-brasileira

A chamada Tucano Ground Station é descrita como resultado de um acordo firmado em 2020 entre a startup brasileira Alya Nanosatellites (atualmente Alya Space) e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology.

De acordo com o relatório, a companhia chinesa mantém vínculos com a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial e com a estatal China Aerospace Science and Technology Corporation, instituições centrais no programa espacial da China.

O documento afirma que a estação estaria localizada na região de Salvador (BA), mas não apresenta coordenadas ou endereço detalhado. Para os parlamentares americanos, a ausência de informações públicas mais precisas aumenta as preocupações quanto à natureza das atividades desenvolvidas no local.

Função declarada e possíveis implicações

Segundo o texto, a função oficial da estação seria apoiar satélites de observação da Terra e comunicações espaciais. A Beijing Tianlian forneceria comunicações de voz e dados entre satélites e a Terra, inclusive para missões tripuladas e satélites de reconhecimento.

Já a Alya Space informa que a estrutura dá suporte à constelação comercial Alya-1, voltada à geração de imagens de alta resolução e dados para aplicações como agricultura sustentável, monitoramento ambiental, energia e gestão territorial.

O relatório menciona ainda que o acordo entre as empresas prevê troca e armazenamento de dados operacionais por meio de redes de antenas interligadas. Na avaliação do comitê americano, essa interconexão ampliaria a cobertura orbital e fortaleceria capacidades de rastreamento de satélites.

Os congressistas sugerem que a combinação de antenas de alta capacidade e integração a redes chinesas poderia aprimorar a chamada “consciência situacional espacial”, conceito que envolve o monitoramento e rastreamento de objetos no espaço. Segundo o documento, tais capacidades poderiam ter implicações para inteligência militar, orientação de mísseis e acompanhamento de ativos espaciais estrangeiros.

Suposto vínculo com a Força Aérea Brasileira

O relatório também menciona que a Alya teria assinado um memorando com o Departamento de Ciência e Tecnologia da Força Aérea Brasileira para treinamento em simulação orbital e eventual uso de antenas da FAB como apoio técnico.

Até o momento, não foram divulgados documentos públicos que confirmem detalhes desse acordo. O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre as alegações.

Existe uso militar?

Não há comprovação pública de que a estação no Brasil esteja sendo utilizada para fins militares. O próprio relatório reconhece que as instalações são formalmente apresentadas como civis e comerciais.

As suspeitas levantadas pelos congressistas americanos baseiam-se na análise das capacidades técnicas da infraestrutura e na política chinesa de integração civil-militar, que prevê aproveitamento de tecnologias civis para aplicações estratégicas.

O que diz a Alya Space

Em nota enviada à imprensa, a Alya Space afirma ser uma empresa brasileira do setor espacial, sediada em Salvador (BA) e fundada em 2019, com foco no desenvolvimento de soluções para monitoramento ambiental e análise territorial.

A companhia declara possuir autorizações junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e à União Internacional de Telecomunicações (UIT) para o desenvolvimento de uma constelação de 216 satélites em órbita baixa da Terra, com operação comercial prevista para 2027.

A empresa nega envolvimento com atividades militares ou de vigilância estratégica e afirma atuar em conformidade com as legislações brasileiras e internacionais aplicáveis.

Contexto geopolítico

A divulgação do relatório ocorre em meio à crescente disputa tecnológica e estratégica entre Estados Unidos e China. O comitê recomenda que o governo americano reavalie cooperações espaciais com países que hospedam infraestrutura chinesa e busque limitar a expansão dessas estruturas no hemisfério ocidental.

Até o momento, não há evidências públicas que comprovem a existência de uma base militar chinesa formalmente instalada em território brasileiro.

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