São Paulo / Brasília – Uma operação conjunta da Polícia Civil de São Paulo, do Ministério Público (GAEEPP) e da Secretaria da Fazenda deflagrada em 12 de fevereiro de 2026 investiga um grupo de origem chinesa suspeito de atuar em conluio com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O esquema envolve movimentação financeira complexa estimada em R$ 1,1 bilhão ao longo de sete meses.
Estrutura do esquema
Segundo as autoridades, o grupo utilizava empresas de fachada no setor de eletrônicos para lavar recursos provenientes de atividades criminosas, como tráfico de drogas e armas. O funcionamento do esquema teria seguido três frentes principais:
- Vendas maquiadas: Empresas de fachada simulavam transações legítimas, emitindo notas fiscais em nome de terceiros e “laranjas” para ocultar a origem do dinheiro.
- Triangulação financeira: Os valores eram movimentados entre diferentes contas e empresas, dificultando a rastreabilidade das operações.
- Uso de tecnologia e criptoativos: Plataformas digitais teriam sido usadas para transferências rápidas, inclusive internacionais, evitando fiscalização imediata.

Ação policial
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo (capital e interior) e Santa Catarina, incluindo escritórios, residências e veículos ligados ao grupo. Entre os bens bloqueados estão imóveis de alto padrão e automóveis de luxo, avaliados em aproximadamente R$ 25 milhões.
“Não estamos mais falando de sacos de dinheiro em favelas, mas de uma engenharia financeira complexa, com empresas, contas digitais e movimentações internacionais”, explicou um promotor envolvido no caso.
Conexão internacional
Autoridades brasileiras já vinham investigando operações similares envolvendo organizações de origem chinesa, que atuariam como “doleiros modernos”, facilitando a evasão de recursos ilícitos para fora do país. Investigações anteriores, como a Operação Tai Pan, identificaram movimentações de bilhões de reais em esquemas paralelos de lavagem e refino de capital criminoso.
Histórico do PCC no setor financeiro
O Primeiro Comando da Capital, tradicionalmente ligado ao tráfico, tem expandido suas operações para áreas financeiras, utilizando fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada para proteger patrimônio ilícito e dificultar rastreamento das autoridades.
Especialistas destacam que esses esquemas tornam o crime organizado mais sofisticado e resistente à fiscalização tradicional.

Próximos passos da investigação
O Ministério Público planeja aprofundar a análise de movimentações bancárias, contratos e transações internacionais. A Polícia Civil também avalia a cooperação com órgãos internacionais para rastrear transferências de recursos e identificar participantes ligados ao grupo chinês.
Autoridades reforçam que a investigação ainda está em curso e que novas fases da operação podem ocorrer nos próximos meses.










