BUENOS AIRES – Pela primeira vez em quase oito anos, o risco-país da Argentina, medido pelo índice EMBI+ do JPMorgan, caiu para abaixo dos 500 pontos-base. Nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, o indicador atingiu 493 pontos, consolidando uma trajetória de queda acentuada que reflete o otimismo do mercado financeiro com as reformas estruturais do governo de Javier Milei.
Por que o índice caiu tanto?
Analistas apontam uma combinação de fatores técnicos e políticos para esse desempenho:
- Ajuste Fiscal Rigoroso: A manutenção do superávit fiscal e a política de “emissão zero” fortaleceram a percepção de solvência do país.
- Acúmulo de Reservas: O Banco Central da República Argentina (BCRA) iniciou o ano com compras diárias de dólares, reforçando as reservas internacionais.
- Vitória Legislativa: O bom desempenho do partido governista nas eleições de meio de mandato (outubro de 2025) deu ao governo a governabilidade necessária para avançar com privatizações e desregulamentações.
- Inflação em Queda: O país encerrou 2025 com uma inflação anual de aproximadamente 31,5%, o menor patamar em anos, após ter beirado a hiperinflação no início do mandato de Milei.
O que isso significa na prática?
A queda para o patamar de 500 pontos é um “divisor de águas” simbólico e prático:
- Retorno aos Mercados Internacionais: Com taxas mais baixas, a Argentina prepara o terreno para voltar a emitir dívida no exterior pela primeira vez desde 2018.
- Redução de Custos para Empresas: Grandes empresas argentinas (como YPF e Pampa Energía) já começaram a captar recursos no exterior com juros muito menores.
- Valorização de Ativos: A Bolsa de Buenos Aires e os títulos públicos argentinos registraram altas expressivas, superando a média de outros países emergentes.

“Atingir este patamar coloca a Argentina em um grupo de risco semelhante ao do Equador e sinaliza que o mercado parou de precificar um calote iminente”, destacam analistas da corretora Cohen.
Comparativo Histórico
| Período | Risco-País (Pontos-base) |
| Janeiro de 2026 | 493 |
| Janeiro de 2025 | ~1.100 |
| Posse de Milei (Dez/2023) | ~1.900 |
| Crise de 2020 | > 4.000 |










