WASHINGTON/CARACAS – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou significativamente a tensão na América Latina ao sugerir que “a terra será a próxima” na ofensiva americana contra o narcotráfico. A declaração ocorre após semanas de operações militares aéreas e marítimas no Caribe, que, segundo relatos, resultaram na destruição de embarcações e na morte de dezenas de pessoas.
Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca, o presidente Trump afirmou que as rotas marítimas de tráfico de drogas estão “quase mortas” e que as organizações criminosas estão agora recorrendo ao transporte terrestre.
“As drogas marítimas estão quase mortas e não podem entrar tão rapidamente pela terra. E as drogas terrestres são muito mais perigosas para eles. Você verá isso em breve,” declarou Trump, insinuando que as operações militares americanas se moverão para o continente.

Escalada das Operações
A fala de Trump, vista por analistas como um indicativo de uma iminente operação militar terrestre na região, segue o anúncio recente de uma ampla operação militar na América Latina e Caribe, denominada “Lança do Sul” (Southern Spear), sob o comando do Comando Militar Sul (SOUTHCOM). O objetivo declarado é “remover narcoterroristas” do hemisfério ocidental.
A intensificação das ações militares tem gerado forte reação de líderes regionais. A Venezuela, em particular, tem mobilizado suas Forças Armadas em exercícios de defesa nacional em meio à presença crescente de navios e aeronaves de combate dos EUA perto de sua costa. O presidente Nicolás Maduro chegou a fazer apelos públicos:
“No crazy war, please. Não à guerra louca. A Venezuela quer paz,” disse Maduro, enquanto a Marinha dos EUA confirmava o envio do porta-aviões mais avançado do mundo, o USS Gerald R. Ford, para a área de responsabilidade do SOUTHCOM.

Preocupações com Soberania
A possibilidade de ações militares terrestres, especialmente em países como Venezuela, Colômbia e México, levanta graves preocupações sobre a soberania nacional e o risco de um conflito prolongado e caótico.
Observadores internacionais e a própria ONU já classificaram os ataques anteriores contra embarcações como “execuções extrajudiciais”. O avanço para operações terrestres intensifica a crítica de que o governo Trump está agindo unilateralmente e sem a aprovação do Congresso.
A Casa Branca não forneceu detalhes sobre onde e quando as operações terrestres começariam, mas a retórica belicosa indica uma nova e perigosa fase no relacionamento dos Estados Unidos com a América Latina.











