Santiago, Chile – 15 de dezembro de 2025 – O Chile elegeu José Antonio Kast, líder da ultradireita, como seu novo presidente, encerrando o ciclo de quatro anos da esquerda no Palácio La Moneda. Com a vitória no segundo turno contra a candidata governista Jeannette Jara, Kast assumirá o cargo em março de 2026, prometendo uma guinada radical na política chilena, focada em segurança, imigração e economia liberal.
🔑 As Três Principais Expectativas
A vitória de Kast, um admirador declarado da ditadura de Augusto Pinochet, reflete o crescente descontentamento da população com a criminalidade, a imigração irregular e a instabilidade política dos últimos anos. O mandato de 2026 a 2030 será marcado pela tentativa de implementar uma agenda conservadora, mas enfrentará desafios consideráveis, especialmente no Congresso.

1. Segurança e Imigração: A “Mão Dura” em Ação
O cerne da plataforma de Kast é o discurso de “ordem e segurança”. Espera-se que o novo governo adote medidas linha-dura:
- Imigração: Promessas de deportação em massa de imigrantes em situação irregular (cerca de 340 mil, em sua maioria venezuelanos) e o uso de recursos como militares e drones para fechar as fronteiras.
- Combate ao Crime: Foco em endurecer o combate ao crime organizado e ao narcotráfico, com planos para a construção de prisões de segurança máxima.
2. Economia Pró-Mercado com Cortes de Gastos
Na esfera econômica, Kast e sua equipe defendem uma agenda de livre-mercado e redução do Estado:
- Redução de Gastos: Proposta de corte de gastos públicos em cerca de US$ 6 bilhões nos primeiros 18 meses (equivalente a 7% do orçamento anual), sem, no entanto, impactar a previdência social.
- Incentivo Empresarial: Ações para desburocratização e redução de impostos corporativos, visando estimular o crescimento econômico e a produtividade.
3. Desafios de Governança em um Congresso Dividido
O principal obstáculo para a agenda de Kast será o Congresso Nacional. O novo presidente não possui maioria absoluta em nenhuma das câmaras.
- Necessidade de Acordos: Para aprovar suas reformas, Kast precisará costurar alianças com a direita tradicional, que, apesar de ideologicamente próxima, não faz parte de sua coalizão.
- Polarização: O Chile emerge de um período de intensa polarização e tentativas fracassadas de reforma constitucional (tanto à esquerda quanto à direita). O governo Kast terá o desafio de provar que pode governar de forma democrática e institucional em meio a um ambiente político tão dividido.

Geopolítica: Novo Alinhamento
No plano internacional, espera-se que Kast realinhe a política externa chilena. Embora a China seja o principal parceiro comercial, o novo presidente deve buscar um fortalecimento dos laços com os Estados Unidos e com líderes de direita e ultradireita na América Latina, como o presidente argentino Javier Milei.
A eleição de Kast não apenas reposiciona o Chile no espectro ideológico regional, mas também marca a ascensão da ultradireita ao poder desde o fim da ditadura. O Chile se prepara para um período de profundas mudanças, cujo sucesso dependerá da capacidade do novo presidente de negociar e aplicar suas promessas em um cenário de forte oposição e grandes expectativas de mudança por parte da população.










